Mary e Max

Não acredito muito nessa história de filmes para as férias. Isto é, não funciona comigo. A lógica é que, durante as férias, as pessoas não queiram pensar muito e deixam o cérebro tirar uma folga também. Todos sabem que adoro stop motion, daí meu irmão me emprestou um filme bem legal, “Mary e Max”. O longa, além de tratar de relacionamentos entre pessoas solitárias, fala também de uma doença rara, a Síndrome de Asperger. A personalidade mais conhecida portadora da doença é o Nobel de Economia Vernon Smith, embora digam também que Einstein e Newton sofriam do mal. Os portadores do distúrbio apresentam uma alta resistência a mudanças e interpretam tudo ao pé da letra, características bem exploradas no filme. Excelente.

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Prêmio Mérito Cultural

Enio e eu, em Ituiutaba.

Escrevi alguma coisa sobre não me importar muito com minha cidade natal, há algum tempo. Realmente, pouco dissertava sobre Ituiutaba em minhas obras. Isso mudou quando conheci Enio Eustáquio e uma prova é o meu livro “Abismo poente”, de 2009, que devolve a Ituiutaba a sua importância na minha formação, tanto intelectual quanto moral. Enio, com seu desapego, seu amor pelo triângulo mineiro e pela cultura da região, criou a ALAMI – Academia de Letras, Música e Artes de Ituiutaba e só por isto já entraria para a história. Conseguiu legitimá-la quando buscou o apoio e o reconhecimento da prefeitura e também quando trouxe nomes de peso para ocupar as cadeiras da instituição. Mas não parou por aí – como presidente da ALAMI idealizou o concurso “Contos do Tejuco” e mais tarde um prêmio para resenhas. Em 2009 bolou o “Prêmio Mérito Cultural”, que tem como missão destacar as principais produções culturais de artistas ituiutabanos. O Mérito Cultural premia os livros do ano, ator do ano, músico do ano e assim por diante. É uma APCA local. Então, a surpresa foi que “O livro da carne” foi escolhido como livro de poesia do ano e fui agraciado com o Prêmio Mérito Cultural. A cerimônia de entrega foi no dia 16 de dezembro e eu não pude comparecer. Mas queria abraçar o Enio e fui para Ituiutaba no dia 22, uma semana depois, para me encontrar com ele. Com toda essa história, o que quero dizer é que a ALAMI e seu diretor me resgataram, fizeram renascer em mim o respeito pela minha terra natal e também com que eu resolvesse contar algumas histórias que lá aconteceram. O romance “sol entre noites”, que estou finalizando, traz ainda mais de Ituiutaba para minha literatura. É uma dívida que estou quitando com minhas palavras e com a amizade – espero que sejam boas moedas de troca.

Geração zero zero

Quando fui convidado, nos anos 1990, a participar de uma antologia, imediatamente pensei que seria uma forma de aparecer. Ponderava, então, que era uma maneira de estrear em letra de imprensa. Mais tarde, a partir de 2002, quando foi publicada a primeira edição de “Coreografia de danados”, já tinha uma outra visão a respeito de ser encadernado com outros escritores – era uma chamada, um link, para meu livro. Ou seja: alguém lia meu conto, gostava e ia procurar uma obra minha. Hoje, acho que isso ainda vale, mas imagino que antologia sirva também para catalogar, se não uma geração, pelo menos alguns escritores de uma época. Então, participei dos “contos brasilienses”, organizada por Ronaldo Cagiano, dos “Cem menores contos do século”, de Marcelino Freire e de “Primos”, de Tatiana Salém Levy. Agora faço parte da “Geração zero zero”, que será lançada ano que vem. Depois da matéria um tanto ingênua e superficial da Folha, não é mais segredo: o livro estará nas lojas por volta de abril e trará o selo da Língua Geral. Gostei muito da matéria do jornal, não por apresentar uma discussão decente, mas porque é um bom marketing para os 21 autores. Nem sei se, depois de chegar ao público, gerará algum debate interessante. Mesmo o temível Alcir Pécora chove no molhado – claro, é uma resenha para um pessoal que não está acostumado aos bastidores e às baixarias da literatura brasileira.

Carga

Sangue é burro de carga, é porta-voz de micróbios, é ele que transporta um vírus no lombo, dá carona pralguma bactéria, é ele que rega tudo quanto é carne que não pode esturricar. Então, que comece a corrida aos hematologistas, que se edifiquem púlpitos de adoração àquele que ergue e fulmina, àquele que entorpece, àquele que infecciona com seus cios de fístulas, como se fosse sabedor da injustiça de transportar a morte no lombo.

Top tweets

 

Pássaros tuitando.

O Twitter pode ser uma ferramenta útil, de vez em quando. Há poucos dias, um carioca criou um perfil somente para propagar novidades a respeito da guerra no Rio de Janeiro. Postava comentários sobre o que estava acontecendo em cada bairro da cidade, um serviço que ajudou muita gente. Alguns furos jornalísticos chegam primeiro ali, com seus cento e poucos toques. No início do ano, alguns alunos me falaram de um tal TT. Como não tenho vergonha de confessar que não sei alguma coisa quando não sei, perguntei a eles do que se tratava. Top tweets. Tweet é uma postagem do twitter, que deve ter, no máximo, 14o toques, contando os espaços. Top tweets são as postagens de 140 toques mais badaladas do mundo. Tem o TT Brasil também. Vou ser honesto: os tweets dos brasileiros são meio fraquinhos, não sabem aproveitar o espaço. Lá fora, a coisa é um pouco melhor. Mas só um pouco – o grosso do site é só bobagem mesmo. Assim, passando os olhos pelos Top tweets de ontem e hoje, selecionei alguns que achei interessantes:

@AdviceToWriters – Being a good writer is 3% talent, 97% not being distracted by the internet. ANONYMOUS

@summertomato – Grammar lesson: “Capitalization is the difference between helping your Uncle Jack off a horse and helping your uncle jack off a horse.”

@DeathStarPR – NASA finds new life on earth able to feed off Arsenic. Meanwhile, old life on earth still mainly eating McDonalds. Microbe 1 Humans 0.

@carlmaxim – Sarah Palin says Julian Assange should be hunted down like Osama bin Laden. So he should be safe for at least a decade. #WikiLeaks