Algumas questões

Às vezes vou ouvir algum escritor, é raro, mas algumas vezes vou. Há uma argumentação recorrente na voz desses sujeitos, velhos ou novos.

1) Eles reclamam que nasceram para a literatura, que não sabem fazer mais nada.

Caramba, todo mundo sabe “fazer outra coisa”. Se não sabe, aprende, as opções são inúmeras. Agora, gostar de outra profissão são outros quinhentos. Ainda assim, é possível. Escrever é somente uma alternativa num universo em constante expansão.

 

2) Eles escrevem por altruísmo, porque querem um mundo melhor, porque querem deixar algo para a posteridade.

As pessoas só escrevem por vaidade e egocentrismo. A perpetuação do nome é somente vaidade elevada à vigésima potência. Escritores gostam de ser bajulados, elogiados, badalados e gostam de ler e ouvir tudo o que dizem de bom a seu respeito. E, é evidente, que só podem ouvir e ler enquanto estão vivos, logo, o importante é reconhecimento aqui e agora, custe o que custar. O mundo melhor, para um escritor, é aquele em que todos querem ler seus livros.

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Antonio Cisneros

 

REQUIEM (3)

A las inmensas preguntas celestes
no tengo más respuesta
que comentarios simples y sin gracia
sobre las muchachas
que viven por mi casa
cerca del faro y el malecón Cisneros.
Y no pretendan ver
en la cháchara tonta esa humildad
de los antiguos griegos.
Ocurre apenas
que las inmensas preguntas celestes
sacan a flote
mi desencanto y mis aburrimientos.
Que a la larga
me tienen dando vueltas
como un zancudo al final de la tarde.
Haciendo tiempo,
mientras llega la hora de oficiar
mis pompas funerarias,
que no serán gran cosa
por supuesto.
En estos tiempos malos bastará
con una mula vieja
y un ánfora de palo
brillante y negra
como el lomo mojado de un delfín.
¡Ah las preguntas celestes!
Las inmensas.

 

(Antonio Cisneros , poeta peruano que faleceu ontem)