Luiz

O concurso de contos Luiz Vilela deste ano teve somente 582 trabalhos inscritos. É pouco para um prêmio em que normalmente se inscrevem mil ou mais narrativas. Será que a greve dos Correios atrapalhou?

Cotidiano

Ontem fui assistir ao Dexter antes de dormir. Bom, muito bom. Antes vi os dois episódios de Two and a Half Men sem o Charlie. O primeiro foi meio sem graça – ficar fazendo piada em velório é sempre uma questão de mau gosto. Ainda mais quando a gente vê um negócio muito inverossímil: mulheres falando sobre a vida sexual numa ocasião dessas. O Kutcher manda mais ou menos, é muito narcisista. Quem salva a série é o Jon Cryer. O segundo episódio é bem mais engraçado, o roteiro mais redondinho. O bilionário da internet começa a pegar o jeito, então acho que a série se salvará. Ainda mais porque até agora a nova temporada foi um sucesso de público. Mas tenho dúvidas reais se continuará assim. De qualquer maneira, o programa do Charlie Sheen também está batendo recordes de audiência. Então, era uma da manhã e os gatos já estavam meio chatinhos, porque queriam dormir e a televisão fazia barulho. Mas eu estava meio sem sono e fui acabar de reler o “Divórcio em Buda”. Engraçado que quando eu leio esse título sempre me lembro de Buda, o filho do rei Sudodana. Mas não, Buda é a cidade mesmo. Sándor Márai escreve muito. Ainda meio sem sono, fui trabalhar nuns retoques em “Moenda de silêncios”, que eu e Cagiano publicaremos ano que vem. Quando comecei a cochilar, uma briga de gatos na rua me despertou.

Dia 04 de outubro, terça-feira, lançamento de “sol entre noites” na Livraria da Vila, na Alameda Lorena, 1731. Começa às 19 horas.

Quadro de Aldemir Martins - tenho três gatos iguaizinhos.

Cooperação

Pense assim: se meu vizinho já faz coleta seletiva, por que eu precisaria fazer também? Se meu amigo já pratica a direção defensiva, por que eu precisaria praticar? Se meu irmão já plantou árvores, por que eu precisaria plantar? Se meu colega de trabalho já respeita as opiniões dos outros, por que eu precisaria respeitar também? A lógica é essa. O outro pode agir por mim, como se a ação dele compensasse o meu descaso, o que me deixa sossegado para ser o que sou, sem nenhum esforço adicional. O que salva as vidas neste planetinha maltratado é que sempre existirão pessoas que optam pelo bem comum.

 

Primeiros passos

Mais séries

Não poderia deixar de citar “Two and a half men”. Às vezes, penso em como roteiristas podem ser tão criativos. Eu fico rindo o tempo todo do Charlie Harper, alterego de Charlie Sheen. Infelizmente, todo mundo já deve ter ouvido falar das bagunças que o Sheen aprontou, de maneira que seu personagem deve morrer em breve e ser substituído por um internauta rico interpretado por Ashton Kutsher, um desses bonitinhos de Hollywood. Tudo para tentar salvar a série de maior audiência nos Estados Unidos.

 

The Big Bang Theory é também uma série que me interessa. Já vi todos os episódios. Algumas vezes, alguns temas científicos são simplificados, mas as piadas são, em geral, ótimas. A atuação de Jim Parsons, que interpreta o futuro Nobel de Física, Sheldon, garante boa diversão. Tenho a impressão de que Sheldon sofre da Síndrome de Asperger. Não sei se isso existe no roteiro original, mas sempre comparei Sheldon com o Max, da animação Mary & Max. Gosto igualmente dos cientistas Wolowitz, um judeu que ainda vive com a mãe (que jamais aparece) e Koothrappali, um indiano que não consegue conversar com mulheres. Claro, Leonard e Penny fazem um bom trabalho, mas são chatinhos. Destaque para a música de abertura, dos canadenses Barenaked Ladies.

 

Mad Men, que já está na quarta temporada. Ainda estou vendo a primeira, por indicação de uma ex-aluna. Estou gostando muito. É um trabalho competente, um visual exuberante. A série reconstrói a Madison Avenue, em Nova Iorque e as agências de publicidade que existiram naquela rua. Aproveita o gancho para mostrar as mudanças que a sociedade norte-americana sofreu naquela década, como a descoberta dos primeiros casos de câncer em fumantes. E chega de séries. Só acompanho essas seis mesmo, porque senão não sobraria tempo para as leituras.