Debate Flip 2011

Organizado por Ovídio Poli Junior, aconteceu no Bar Zaratustra, como parte da programação da Off Flip. Mediado por Diogo Henriques, da Língua Geral, estiveram por lá: Carlos Henrique Schroeder, eu, Tony Monti, Veronica Stigger e Marne Lúcio Guedes. Marne também conduziu o papo, nos provocando: vocês acham que o bizarro dá conta da antologia? O que vocês acham da crítica literária atual? E assim por diante. Mas o melhor foi mesmo a leitura – expliquei que “sol entre noites” era continuação de “abismo poente” e que os contos deste último foram numerados de i a ix e por isso “sol entre noites” começava com o conto x, indo até o xvii, se não me engano.

Schroeder, eu, Tony, Stigger e Marne. Devo ter dito algo engraçado.

Leitura do conto "x", que está na antologia Geração zero zero.

Bonito este logo da Off Flip.

Zero zero no Globo

Saiu hoje uma matéria no Prosa & verso. A escritora Ana Paula Maia inseriu um pdf da danada em seu blog. Superficial como sempre (não se pode esperar mais do que isso de um jornal), mas uma boa propaganda.

Agora saiu

Saiu o livro Geração zero zero. Estou lá com o conto “x”, inédito, mas que aparecerá também em “sol entre noites”, em breve. A chamada: o melhor da ficção brasileira do século XXI. Será? Provavelmente muita gente vai discordar. De minha parte estou preparado para duas coisas: para o silêncio ou para as porradas. De qualquer forma, sinto-me realizado, só pelo fato de Nelson de Oliveira, Milton Hatoum e minha esposa Ana gostarem do que escrevo.

Capa da antologia Geração zero zero

RPG

Dor

Engraçado quando penso que RPG pode ser Role-playing Game (algo como Jogo de Interpretação de Personagens – então por que não JIP?) e também Reeducação Postural Global. Nem tão engraçado assim quando alguém se vê forçado a partir para o segundo RPG. Meu caso. Faz um ano que venho convivendo com uma dor nas costas, nada muito grave – minha educação mineira me ensinou a negociar com o sofrimento. Depois de passar por ortopedistas e fisioterapeutas, resolvi tentar a RPG. Comecei hoje. Até aqui gostei, minhas costas parecem mais leves no momento. Com isso tudo, vou descobrindo que há postura para tudo, até para se ler um livro.

Bom, chega de férias – amanhã começo um conto novo e depois que terminá-lo, já ataco o romance que publicarei em 2013.

Ainda geração

Geração Y

No prefácio da vigésima-sexta edição de “Raízes do Brasil”, Antonio Candido defende:

A certa altura da vida, vai ficando possível dar balanço no passado sem cair em autocomplacência, pois o nosso testemunho se torna registro da experiência de muitos, de todos que, pertencendo ao que se denomina uma geração, julgam-se a princípio diferentes uns dos outros e vão, aos poucos, ficando tão iguais, que acabam desaparecendo como indivíduos para se dissolverem nas características gerais de sua época. Então, registrar o passado não é falar de si; é falar dos que participaram de uma certa ordem de interesses e de visão do mundo, no momento particular do tempo que se deseja evocar.

Esta parece ser a ideia de geração difundida e defendida hoje pelos teóricos no Brasil. Ora, está claro, segundo Antonio Candido, que, para caracterizar uma geração, há a necessidade de existir o distanciamento temporal. Hoje, seguindo este raciocínio, talvez fosse possível discutir a Geração 1960 ou talvez a Geração 1970, mas jamais a Geração 1980, muito recente ainda. Evidente está também, de acordo com o catedrático, que as características individuais devem dar lugar ao conjunto, ao todo. Em uma geração literária talvez isso corresponda a esquecer os estilos e a considerar que Luiz Vilela e Sérgio Sant’Anna escrevem de maneira muito parecida. Ou mesmo argumentar que os temas escolhidos pelos dois é o mesmo. Nenhuma das duas hipóteses é verdadeira, como qualquer leitor de literatura brasileira pode comprovar. Assim, a Geração 1960, a que os dois pertencem, passa a ser exatamente o que é a Geração zero zero: um retrato de seu tempo. Talvez ambos se “dissolvam nas características gerais de sua época” simplesmente porque o tema geral, com o qual certamente se ocuparam em algum instante de suas obras, era o mesmo. E era o mesmo porque ambos começaram a escrever na mesma época. Mas, ainda podemos considerá-los Geração 1960, uma vez que continuam a produzir obras cada vez mais díspares com o que foi a suposta concepção de 1960? Está claro para mim o que ocorre. Quando Nelson de Oliveira resolveu, pouco depois de finda uma década, produzir um retrato da década, levando em conta principalmente o  fato de autores produzirem seus primeiros livros em uma mesma época, ele antecipou um trabalho que era para ser feito por teóricos daqui a 80 ou 90 anos. E isso gera ciúmes.

Prêmio Mérito Cultural

Enio e eu, em Ituiutaba.

Escrevi alguma coisa sobre não me importar muito com minha cidade natal, há algum tempo. Realmente, pouco dissertava sobre Ituiutaba em minhas obras. Isso mudou quando conheci Enio Eustáquio e uma prova é o meu livro “Abismo poente”, de 2009, que devolve a Ituiutaba a sua importância na minha formação, tanto intelectual quanto moral. Enio, com seu desapego, seu amor pelo triângulo mineiro e pela cultura da região, criou a ALAMI – Academia de Letras, Música e Artes de Ituiutaba e só por isto já entraria para a história. Conseguiu legitimá-la quando buscou o apoio e o reconhecimento da prefeitura e também quando trouxe nomes de peso para ocupar as cadeiras da instituição. Mas não parou por aí – como presidente da ALAMI idealizou o concurso “Contos do Tejuco” e mais tarde um prêmio para resenhas. Em 2009 bolou o “Prêmio Mérito Cultural”, que tem como missão destacar as principais produções culturais de artistas ituiutabanos. O Mérito Cultural premia os livros do ano, ator do ano, músico do ano e assim por diante. É uma APCA local. Então, a surpresa foi que “O livro da carne” foi escolhido como livro de poesia do ano e fui agraciado com o Prêmio Mérito Cultural. A cerimônia de entrega foi no dia 16 de dezembro e eu não pude comparecer. Mas queria abraçar o Enio e fui para Ituiutaba no dia 22, uma semana depois, para me encontrar com ele. Com toda essa história, o que quero dizer é que a ALAMI e seu diretor me resgataram, fizeram renascer em mim o respeito pela minha terra natal e também com que eu resolvesse contar algumas histórias que lá aconteceram. O romance “sol entre noites”, que estou finalizando, traz ainda mais de Ituiutaba para minha literatura. É uma dívida que estou quitando com minhas palavras e com a amizade – espero que sejam boas moedas de troca.

Geração zero zero

Quando fui convidado, nos anos 1990, a participar de uma antologia, imediatamente pensei que seria uma forma de aparecer. Ponderava, então, que era uma maneira de estrear em letra de imprensa. Mais tarde, a partir de 2002, quando foi publicada a primeira edição de “Coreografia de danados”, já tinha uma outra visão a respeito de ser encadernado com outros escritores – era uma chamada, um link, para meu livro. Ou seja: alguém lia meu conto, gostava e ia procurar uma obra minha. Hoje, acho que isso ainda vale, mas imagino que antologia sirva também para catalogar, se não uma geração, pelo menos alguns escritores de uma época. Então, participei dos “contos brasilienses”, organizada por Ronaldo Cagiano, dos “Cem menores contos do século”, de Marcelino Freire e de “Primos”, de Tatiana Salém Levy. Agora faço parte da “Geração zero zero”, que será lançada ano que vem. Depois da matéria um tanto ingênua e superficial da Folha, não é mais segredo: o livro estará nas lojas por volta de abril e trará o selo da Língua Geral. Gostei muito da matéria do jornal, não por apresentar uma discussão decente, mas porque é um bom marketing para os 21 autores. Nem sei se, depois de chegar ao público, gerará algum debate interessante. Mesmo o temível Alcir Pécora chove no molhado – claro, é uma resenha para um pessoal que não está acostumado aos bastidores e às baixarias da literatura brasileira.