Livros

Estou me desfazendo de muitos dos meus livros, por questões de espaço. Não quero mais ficar guardando em casa milhares de livros que talvez nem eu leia. Mas os autografados, principalmente, levarei comigo.

 

Livro de Augusto de Campos, que ganhei recentemente.

 

Primeira edição de Feliz Ano Novo.

 

Primeira edição de "A lua vem da Ásia".

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Os onze mandamentos do escritor brasileiro

1. Amar a Cormac McCarthy, Paul Auster e Philip Roth sobre todas as coisas.

2. Guardar segundas, terças, quartas, quintas, sextas, sábados e domingos para o boteco com colegas escritores.

3. Honrar a confraria e ir a todos os  lançamentos de livros.

4. Matar adjetivos e figuras de linguagem.

5. Roubar ideias, frases, parágrafos ou textos sempre que possível.

6. Levantar falso testemunho sobre a obra daqueles que não foram aceitos na confraria.

7. Desejar o talento do próximo.

8. Cobiçar o sucesso do próximo.

9. Cultivar a arrogância, a ignorância e a inveja.

10. Se novato, louvar os livros dos famosos e influentes. Se famoso, se manter famoso.

11. Amar a moda sobre todas as coisas.

 

Visitas ilustres

Vieram em casa os escritores Osvaldo Rodrigues e Celso de Alencar. Vieram conhecer Helena. Vieram visitar Ana. Ficamos imensamente gratos por terem vindo. A amizade é algo essencial.

 

Osvaldo, eu e Celso, logo após o almoço.

 

Eu, Celso e Osvaldo. Nos fundos de casa, para não acordarmos Helena.

Pendenga na USP

1) Não adianta vir com essa história que a USP não é elitista. Ok, pouco mais de 30% de seus alunos tem renda inferior a 3 salários mínimos. E “somente” outros 30% têm renda maior do que 20 salários mínimos. Aí são necessários alguns comentários: esse levantamento foi feito pela própria USP e, portanto, é tendencioso. Depois, mesmo que não tivesse sido feito pela USP, sabe-se que um levantamento sócio-econômico baseado em questionários respondidos pelos próprios alunos tem suas falhas. Ainda assim, se tudo isso fosse comprovado e essa quantidade significativa de alunos pobres fizesse parte do corpo discente da universidade, então seria preciso fazer outra pesquisa: em que cursos estão? Porque, asseguro, não estão nas engenharias, nem na medicina, nem nos cursos de maior concorrência.

2) A maconha como “porta de entrada” para drogas mais pesadas é um argumento bem batido.

3) Aquela foto do sujeito apontando um canhão para uma aluna foi muito forte e denuncia o despreparo de nossa polícia.

4) Por mais que se discuta, não haverá um consenso sobre a presença da polícia no câmpus.

A lógica

Sempre apreciei a lógica. Muitos sabem que sou doutor em engenharia e que, portanto, por força da profissão, já estudei com afinco e com profundidade essa matéria. Estudo ainda hoje. Vamos a um exemplo prático. Atualmente, vários críticos e escritores professam que o bom texto é aquele enxuto e que um texto que não segue essa regra básica é arcaico, preciosista. Iniciou-se uma caça às bruxas aos adjetivos. Ora, podemos concordar que um texto de Machado de Assis é qualquer coisa menos enxuto. Assim, segundo os critérios contemporâneos, Machado de Assis não seria um bom autor, pois não escreve romances enxutos. Nem contos enxutos. O problema é que não ouço ninguém por aí metendo o pau em Machado de Assis, ninguém defende que Machado de Assis é um escritor ultrapassado, sem qualidade. Que Clarice era preciosista. Que Guimarães Rosa também era. E eram sim. Ninguém em sã consciência vai sustentar em um debate que foram péssimos escritores. Balzac, Proust? O problema, senhoras e senhores, é que o olhar contemporâneo não pode ter o poder de destruir o olhar histórico, o problema é que os critérios estabelecidos ontem ou agora não são verdades universais e a arte está acima de classificações, porque a arte não depende da visão progressista da ignorância. O problema, senhores e senhoras, é o homem e não a arte.

Crônicas ituiutabanas

Além de contribuir quinzenalmente para o site Crônica do dia, também estou escrevendo para o jornal de minha cidade natal, graças ao meu amigo Enio Eustáquio, presidente da Alami e maior divulgador dos artistas de Ituiutaba. Resolvi que no Crônica do dia escreverei principalmente sobre o nascimento e crescimento de minha filha. Darei o nome a essa série de “diários do nascimento.” No jornal de Ituiutaba, escreverei semanalmente as “crônicas ituiutabanas”, em que resgatarei lembranças de minha infância e adolescência. Sexta-feira, ontem, portanto, foi publicado meu primeiro texto. Colo um trecho abaixo:

Ituiutaba é uma dor inoculada em meu sangue. Em Ituiutaba, eu aprendi a precisão das ruas numeradas, impessoais, que não queriam homenagear mortos desconhecidos e petulantes. Em Ituiutaba, eu persegui a menina Virgilina por quarenta e duas quadras, tudo por conta de uns cabelos sombrios e cacheados que me faziam perder o fôlego – penso que hoje, com o império da chapinha, eu não me sensibilizaria tanto. Em Ituiutaba eu deixei a minha infância e adolescência, que resgato vez ou outra.