Catarse

Eu achei bem legal esta página de apoios a projetos. O Eduardo Loureiro Jr, que idealizou  o “Crônica do dia” resolveu publicar a primeira antologia de crônicas dos colaboradores do site. Se você quiser dar uma força ao livro, basta visitar o Catarse.

Anúncios

Ainda zero zero

Eu queria que a viagem de volta começasse logo para que eu pudesse ler os contos de Veronica Stigger e Tony Monti. Que surpresa! São dois grandes escritores. Primeiro, Stigger, que integra a antologia com o conto “Mancha”. Um texto bem planejado, com uma trama curiosa. Stigger nos apresenta uma estranha peça, em que Carol 1 e Carol 2 tentam explicar o que significam as manchas de sangue espalhadas pelo piso de um apartamento. Enquanto Carol 1 tenta se maquilar, inventa todo tipo de mentira para disfarçar o sumiço de um homem. Em vários momentos, temos a impressão de que Carol 1 é a segunda personalidade de Carol 2, ou vice-versa.

Tony Monti, que escreveu “Esc” e “Esboço de Ana” especialmente para o livro, é uma pessoa muito agradável, de quem gostei especialmente e com quem manteria contato sem problema nenhum. Confesso que fui aos seus contos temeroso, não queria que uma literatura de baixa qualidade estragasse os efeitos daquela primeira impressão. Literatura de baixa qualidade? Hahahahaha. Muito longe disso. Há uma habilidade tremenda em sua ficção, uma melancolia de meter medo no mais feliz e otimista indivíduo, um lirismo a toda prova. Ambos os contos tratam da solidão do homem face a tantos recursos escapistas: álcool, droga, sadomasoquismo e assim por diante. Achei especialmente líricas as histórias em que um sujeito perambula de festa em festa em um prédio condenado e outro, que tenta dar voz à sua raiva planejando como quebrar todos os copos da casa.

Ainda consegui ler os trabalhos de Andréa del Fuego, Marne Lúcio Guedes, Lourenço Mutarelli, Santiago Nazarian e Maria Alziar Brum Lemos, que comentarei oportunamente.

No lançamento, encontrei-me com os amigos Ronaldo Cagiano e Osvaldo Rodrigues, que autografará, na Livraria da Vila da Lorena, o seu “Exercícios ilusórios“, na terça-feira próxima. O livro está muito bom, edição bonita e eu recomendo honestamente. Osvaldo me levou um “Suicídios exemplares” autografado, provavelmente de presente, mas precisamos decidir isso ainda.

Exercícios ilusórios, a história de Ludoman Orni.

Lançamento Geração zero zero

Aconteceu ontem, 21/06, na Livraria da Vila da Fradique. Muito bacana.

João Filho e eu.

Casa cheia.

Lima Trindade ali na frente.

Nazarian autografando para mim.

Tony Monti e eu.

Compromissos

Eu não sei por que cargas d’água eu resolvi, há 4 anos, cursar Pedagogia. Mas fui. Já desisti do curso 2 vezes, porque essas coisas foram formatadas pra jovens de 17 anos recém-egressos do Ensino Médio. As universidades públicas brasileiras ainda não aprenderam a trabalhar com outro público. O fato é que estou sobrecarregado de bobagens para cumprir e isto tem me tomado algum tempo,  principalmente da literatura. Mas agora é reta final, ninguém vai morrer (espero) por conta de dois meses sem escrever uma linha do novo livro.

Aí fui ao médico. Ele me disse que as dores que venho sentindo pelo corpo são funcionais. Achei poético isso. Na prática, dor é dor. Mas achei poético. A dor do trabalho. Clichê. O que uma coisa tem a ver com a outra? Tem que é esse maldito curso que está me causando essa fadiga a tal ponto que, com a sensibilidade aflorada, sinto dores que normalmente não sentiria. Loucura. E não é porque o conteúdo que estudo é complicado ou algo do gênero, é a falta de diálogo, a incoerência, as cobranças sem sentido – essas coisas de todo curso superior no Brasil. Isso me irrita profundamente e a irritação faz mal para quem? Para mim mesmo.

 

Agora saiu

Saiu o livro Geração zero zero. Estou lá com o conto “x”, inédito, mas que aparecerá também em “sol entre noites”, em breve. A chamada: o melhor da ficção brasileira do século XXI. Será? Provavelmente muita gente vai discordar. De minha parte estou preparado para duas coisas: para o silêncio ou para as porradas. De qualquer forma, sinto-me realizado, só pelo fato de Nelson de Oliveira, Milton Hatoum e minha esposa Ana gostarem do que escrevo.

Capa da antologia Geração zero zero

RPG

Dor

Engraçado quando penso que RPG pode ser Role-playing Game (algo como Jogo de Interpretação de Personagens – então por que não JIP?) e também Reeducação Postural Global. Nem tão engraçado assim quando alguém se vê forçado a partir para o segundo RPG. Meu caso. Faz um ano que venho convivendo com uma dor nas costas, nada muito grave – minha educação mineira me ensinou a negociar com o sofrimento. Depois de passar por ortopedistas e fisioterapeutas, resolvi tentar a RPG. Comecei hoje. Até aqui gostei, minhas costas parecem mais leves no momento. Com isso tudo, vou descobrindo que há postura para tudo, até para se ler um livro.

Bom, chega de férias – amanhã começo um conto novo e depois que terminá-lo, já ataco o romance que publicarei em 2013.