Botecos

O que você faria?

Quando adolescente participava de um ritual, que hoje não sei se ainda existe. Todo sábado, algumas sextas e raros domingos, descíamos, eu e meu amigo libanês para o centro de Ituiutaba. Éramos muito novos, quinze, dezesseis anos, nossos pais não nos davam mesadas e se quiséssemos acompanhar o movimento da cidade, só tínhamos esta opção: permanecer de pé durante quatro ou cinco horas, conversando e observando as pessoas da calçada de frente para o boteco da vez. Os que chegavam cedo e conseguiam uma mesa geralmente consumiam dois ou três refrigerantes a noite inteira. Por isso a rotatividade desses bares era grande – casa cheia, mas pouca receita. Abria um, fechava outro e assim a vida útil dos estabelecimentos girava em torno de seis meses. Hoje não vejo muito isso por aí, parece que os jovens ganham mesadas mais polpudas e não precisam sair de casa jantados – podem comer fora.

Sessão filme: recomendo, por enquanto, “O que você faria?” (El método, Espanha, Argentina, Itália, 2005). Muito intrigante e engraçado. Sete executivos disputam uma vaga em uma grande empresa, que usa um enigmático Método Grönholm para selecionar seus candidatos. As quase duas horas do filme se passam  em uma sala (a menos de um ou outro trecho), onde cada um dos sete candidatos está de frente para um computador. Eles têm de passar por várias tarefas, cada uma delas elimina um concorrente. A primeira: há um infiltrante da empresa entre os sete, resta ao grupo descobrir de maneira unânime qual deles. Roteiro show.

O livro da carne

Saiu. Esta semana começa a chegar às livrarias meu novo livro. O primeiro de poesias. Coloquei alguns exemplares na Estante Virtual a preços bem módicos. Este livro é um projeto paralelo, no qual vinha trabalhando desde 2002. Várias poesias foram publicadas naquelas agendas que o PSTU vende. Isso desde 2003. Só que eu as retrabalhei e foram publicadas de modo diferente neste livro da carne. A capa ficou muito bonita, na minha opinião e todo o projeto gráfico de tirar o chapéu. O texto da orelha ficou por conta do Paulo Bentancur.

Poesia

Carroças

Tílburi

No livro “A educação sentimental” (L’Éducation Sentimentale), talvez a obra-prima de Gustave Flaubert (1821 – 1880), cujo enredo se parece muito com algumas histórias de Balzac (1799 – 1850), lá pelao meio, a personagem principal, o ingênuo Frederico, observa os veículos que deixam um hipódromo.  Quando pensamos no século XIX, temos a tendência de achar que existia somente um tipo de carro: aquele puxado por um ou dois cavalos e que carregava de dois a quatro passageiros. Que nada. Havia inúmeros modelos e marcas, como acontece com os automóveis de hoje. Carruagens, caleças, tílburis, diligências, fiacres, briskas, wurts, tendems, dog-cats, carroças, carripanas, cupês, seges e assim por diante. Uma busca no google e já percebemos que um é completamente diferente do outro. Caleça é uma carruagem de dois assentos, puxada por dois cavalos. A carruagem parece ser um veículo mais nobre, pois possui uma suspensão muito avançada, que ameniza os solavancos provocados por ruas irregulares. Já o tílburi é um carro com dois assentos e duas rodas, tracionado, normalmente por um cavalo. As diligências eram veículos maiores, pesados, capazes de transportar até 14 passageiros, geralmente puxadas por quatro mulas. Fiquei tão interessado no assunto que corri a procurar livros sobre carroças, mas não encontrei nenhum em nenhum dos idiomas que conheço. Se alguém souber, por favor, me avise.