Memória

Todos os meus avós faleceram há algum tempo. Conversando hoje com meu irmão, perguntei a ele se ele se lembrava dos nomes de todos eles. Juntos, nos esforçamos e chegamos aos nomes e sobrenomes dos pais de meu pai. Mas sobre os pais de minha mãe, esses mortos há mais tempo, não conseguimos um acordo quanto aos sobrenomes. Meu objetivo original era alcançar os dados de meus bisavós e aí, nada. Resultado: nossa memória alcançou muito perto, de modo que, quando algum escritor me diz que o importante é que a obra seja lembrada depois que ele esteja morto, eu penso que isso é uma grande bobagem. Vaidade. Desejamos reconhecimento agora, que estamos vivos. Depois, ninguém sabe o que virá, por mais que se especule. Além do mais, parece-me óbvio que o máximo que nossa obra sobreviverá a nós é quase nada diante dos milhões de anos de história da humanidade.

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Educação

Li agora num jornal: “o momento é de desaceleração na economia, e a escola é o primeiro item que a família deixa de pagar.” Há muito o que ponderar sobre a frase. Primeiro, que aparentemente a sociedade até parece achar que a educação tem alguma importância e por isso se mete a matricular os filhos em escolas “de excelência”, pagas, evidentemente. Mas quando a coisa aperta, parece ser mais importante bancar o novo celular, o novo tablet, o novo carro, do que quitar as mensalidades da escola do filho. Daí percebemos que educação virou bem de consumo.

Os pais, a qualquer custo, procuram as melhores instituições. Ensino fundamental e médio, não tem jeito, é pagar uma escola privada de grife. Depois enfiar a prole em uma universidade pública, se a garotada for CDF. Tudo porque ainda existe o sonho de que basta cursar boas escolas para se dar bem na vida.

Hoje há escola para a maioria, mas o modelo ainda é o mesmo do de 1970: educação de qualidade só para a elite. A coletividade interioriza a opressão e arruma um jeitinho de vencer o próximo. Para se ter sucesso, só é preciso se esforçar, quem faz a escola é o aluno. Nossa, quanto senso comum, quanta ignorância. Assim, todos se esquecem que a educação não é um bem, não devendo estar sujeita exclusivamente a leis de mercado. O problema é que são muitos os que prescindem do direito à educação de qualidade.

O homem de meia cidade

Quem é que nunca digitou o próprio nome em algum mecanismo de busca para ver o que acontece? Eu faço isso de vez em quando. Nesta brincadeira, algumas surpresas sempre acontecem. Como hoje, que encontrei o seguinte vídeo, sobre meu conto “O homem de meia cidade”, publicado na revista “e”, do Sesc, há alguns anos:

Evolução

O próprio título deste post pode ser pensado como uma crítica ou como um convite ao estudo de alguns livros de Richard Dawkins, também. Mas meu objetivo é um pouco mais humilde, embora, de maneira alguma, queria fazer qualquer tipo de crítica ao que quer que seja. É somente uma reflexão. Sei que não adianta, mesmo com argumentos, tentar mudar a opinião da maior parte das pessoas, no que diz respeito à religião. Quem é religioso continuará a ser religioso e a respeitar seus dogmas, apesar de qualquer prova e quem é ateu, assim seguirá sua vida, no ateísmo.

O interessante é que sempre ouço falar que a igreja não pode mudar suas posições com o passar do tempo e aqui me refiro à igreja católica. Que as leis foram criadas por Deus e que não dependem da época. Só que, se formos pensar direitinho, a religião parece ter superado a escravidão (ficando apenas neste exemplo). Pelo menos não encontramos mais padres professando que é bom que se tenha um escravo no quintal de casa, para ajudar no trabalho. Se não me engano, de vez em quando a igreja até se embrenha em alguma campanha contra a escravidão nos dias atuais (que existe, lógico). Então, por acaso, estava lendo um trecho do Êxodo, que defendia que não devemos cobiçar a mulher do próximo, nem os escravos do próximo. Ora, se a igreja não concorda mais com escravos, só resta dizer que a palavra de Deus foi superada, já que se acredita que a Bíblia foi escrita por homens, inspirados por Deus.

Assim, acompanhei outro dia que o Santo Padre condenou a união Gay, utilizando o mesmo texto sagrado para sustentar seu julgamento. Claro que os homossexuais estão se lixando para o que o Papa professa, mas eu acho que é questão de tempo para a igreja rever seu posicionamento radical (há pouco reviu algo sobre a camisinha, alguém se lembra?). Não serei tão radical quanto Christopher Hitchens, mas estou certo que em alguns anos outros “furos” do livro cairão por terra.

Ecad

Que coisa mais estranha essa história do Ecad. Conversando com um colega hoje, ele me disse que o Escritório está correndo atrás de cobrar direitos autorais até daquelas músicas que ficam tocando no telefone enquanto a gente espera alguém atender a nossa chamada. Brincou que daqui a alguns dias correrão atrás até dos Ringtones. É possível.