Concursos

Este ano fiquei muito contente, porque a ALAMI resolveu me homenagear, dando o nome Whisner Fraga ao seu já bem conhecido Concurso Contos do Tijuco. É uma emoção tremenda, claro. Depois foi a história do Prêmio Luiz Vilela, o artista Anésio Azevedo com suas intervenções, levando minha crônica não-publicada às ruas. E, como eu sempre digo, um texto na rua tem vida própria. A gente nunca sabe em que mãos cairá. Anésio me contactou, concordei com a intervenção, por ver nela uma obra de arte, e melhor ainda, arte em progresso – a arte modificando a arte enquanto está sendo criada. É fantástico. Mas sou avesso a brigas, ainda mais políticas. Sou um sujeito pacífico, domado. Se alguém me chama a atenção, fico com dor de barriga, fico triste, cabisbaixo. Sei que nesta vida é impossível caminhar sem granjear inimigos e eu os tenho também, óbvio. A diferença é que nunca tive a intenção de recrutar nenhum. Se vieram foi porque tinham de vir mesmo e pronto. O que faço é sempre agradecer por tudo o que chega até mim.

Desinformação

Como professor, sei que a coisa mais complicada que existe é dar uma aula ou falar sobre um assunto que não domino. Como ex-resenhista e ex-articulista, eu também sei disso. Então, eu estava lendo o jornal de hoje e me deparei com a seguinte matéria: “Lições de administração com um poeta”. Ora, administrador entender de poesia é coisa rara, fato decisivo para que eu me aventurasse pelo texto, de Rogério Amato:

“Li recentemente um artigo interessante do poeta russo nascido na Geórgia Vladimir Maiakovski.

Ele dizia: ‘Na primeira noite, eles se aproximam e colhem uma flor, e não dizemos nada. (…)'”

Decidi parar por aí. Para começar, não se trata de um artigo e sim de uma poesia e seu autor não é Maiakóvski e sim Eduardo Alves da Costa. Eduardo caiu numa armadilha: intitulou o conjunto de versos de “No caminho com Maiakóvski” e isso lhe tem gerado inúmeras dores de cabeça. O que é de se estranhar é um jornal do porte da Folha não ter um revisor que sacasse isso e fizesse a correção antes de publicar a matéria.

Erro semelhante ocorreu nos meus tempos de estudante de Letras. Minha turma confeccionou uma camiseta com a poesia, dando sua autoria a Maiakóvski. Quando vieram me oferecer uma, recusei, alegando que quem havia escrito os versos era Eduardo Alves da Costa. Pra quê? Fiz inimigos para o resto da vida.

Mas como é mesmo aquele dito popular? Perco o amigo mas não perco a chance de corrigir um engano?

O poeta Eduardo Alves da Costa

O poeta Eduardo Alves da Costa

VII Concurso Contos do Tijuco “Whisner Fraga”

Regulamento

1 – A Academia de Letras, Artes e Música de Ituiutaba – ALAMI – promove o VII Concurso Contos do Tijuco, uma atividade de caráter lítero-cultural sem fins lucrativos, que nessa edição homenageia o escritor Whisner Fraga.

2 – Poderão inscrever-se escritores brasileiros, residentes no país ou no exterior. A inscrição implica concordância automática com todas as clausulas deste regulamento.

3 – O conto deverá ser em língua portuguesa, inédito e apresentado em quatro vias digitadas em corpo 12. Cada participante poderá inscrever apenas um conto, sem limite de páginas e sem restrição quanto à forma e ao conteúdo.

4 – É obrigatório o uso de pseudônimo logo abaixo do título do conto e na parte externa de um envelope, com o título repetido. O envelope, lacrado, deve conter, além do conto, o nome do autor, o endereço, o telefone, o e-mail, os dados biográficos e uma cópia xerográfica da carteira de identidade (frente e verso).

5 – O prazo para a inscrição termina, impreterivelmente, no dia 31 de agosto de 2012, valendo a data do carimbo do correio ou o comprovante de entrega em mãos, no seguinte endereço:

ALAMI – Academia de Letras, Artes e Música de Ituiutaba –.
Avenida 19-A entre ruas 38 e 38-A, nº. 332.
Ituiutaba –MG – CEP 38.300.122

6 – Os contos serão julgados por uma Comissão formada por três membros, de notória competência na matéria, não pertencentes à ALAMI.

7 – Ao autor do conto premiado será oferecido como prêmio a quantia de R$400,OO (quatrocentos reais) e certificado e livros da biblioteca da ALAMI.

8 – O conto premiado será publicado no blog da ALAMI – solardaliteratura.blogspot.com – e outros sites literários que prestam serviços de divulgação de concursos de contos. A Comissão poderá selecionar mais nove contos, sem classificação, para possível publicação em livro.

9 – O resultado do concurso sairá numa data bem próxima do dia 16 de Setembro, fazendo, assim, parte das comemorações do aniversário de Ituiutaba. O resultado do concurso será divulgado no blog: http://www.solardaliteratura.blogspot.com – e outros sites literários que prestam serviços de divulgação de concursos de contos.

10 – A entrega do prêmio ao ganhador do concurso e a entrega do “Certificado de Participação” aos autores dos nove contos selecionados será em data a ser informada. – pelo telefone ou e-mail -.

1 – Poderá a comissão julgadora deixar de outorgar o prêmio, se avaliar que a ele nenhum dos contos faz jus. (não haverá devolução dos contos recebidos).

12 – Poderá a ALAMI publicar um livro com o conto vencedor e os nove contos selecionados pela Comissão Julgadora.

13 – As decisões da Comissão Julgadora são irrecorríveis.

14 – Os casos omissos neste regulamento serão resolvidos pela ALAMI

Ituiutaba, 1º de Maio de 2012.

Comissão Organizadora:
Regina Souza Marques de Almeida – Coordenadora.
Membros:
José Maria Franco de Assis
Sonone Luiz
Adelaide Pajuaba Nehme
José Moreira Filho
Enio Eustáquio Ferreira

Prêmio

Estou no Triângulo Mineiro, para receber um prêmio da Academia de Letras, Artes e Música de Ituiutaba: meu livro “sol entre noites” foi eleito o romance do ano.

A profissão

 

A literatura brasileira ainda é um bebê bastardo, que não sabe quando começar a engatinhar, de forma que viver dignamente por meio da escrita é algo complicado ainda em nosso país. Alguns já conseguem, como todos sabem. E muitos outros conseguirão também, em breve. A tendência é que o Brasil siga seus colonizadores e avance. Para que um escritor consiga se sustentar com os trocados das letras, é fundamental que se criem mais concursos literários e mais feiras também. De direitos autorais nenhum gênio sobrevive. Basta fazer as contas – um baita escritor, como Luiz Ruffato, vende 3 mil exemplares de cada obra sua. Sendo otimista, 5 mil exemplares. De cada venda ganha aí seus 5 reais, o que contabiliza 25 mil reais. Só que, para desovar 5 mil exemplares, as livrarias levam 2 anos. Fazendo as contas, isso daria um salário aí de R$ 1042,00 mensais para um escritor do porte do Ruffato. Um soldador, com todo o respeito aos soldadores, ganha 7, 8 vezes mais. Agora, para chegar lá, o Luiz demorou um tempinho. Digamos que já estava beirando os 40 anos (novamente sendo otimista) quando começou a vender bem. Isso quer dizer que, para o sujeito fazer literatura de qualidade neste nosso país, é preciso deixar de viver durante quarenta anos. Daí vem aquele mito, provavelmente: o de que escrever é um dom. Ora, é muito legal dizer isso, porque dom não tem preço e, principalmente, não é preciso que seja remunerado. As editoras adoram e não fazem nada para mudar a cabeça do leitor. Continuando o raciocínio: daí que é preciso criar concursos literários que premiem escritores que estão começando (é bom reconhecer o valor da obra de algum octogenário, mas não basta) e também que se convidem iniciantes para feiras literárias (e que estas participações sejam bem pagas).

Quando resolvi ser escritor, eu tinha uns quatroze anos, por aí. Mas quando comuniquei à minha família, já escrevia há um tempinho. Aos 20 anos eu desejava abandonar tudo para me tornar escritor e fui pedir a ajuda da minha família. A resposta foi simples, curta, imediata: termine seu curso superior e depois você poderá ser o que quiser, pois já terá um trabalho para se manter. Ironia das ironias, pois todos sabem que escritor não é profissão. Lá fora a coisa é mais fácil, sem dúvida. O candidato a escritor basta comunicar aos pais que quer ser um artista e que, para tanto, precisa ser sustentado durante uns três, quatro anos, tempo necessário para confeccionar seu primeiro best seller.

O livro de Enrique Vila-Matas, “Paris não tem fim”, toca neste assunto. O autor, Vila-Matas, recorda-se da carta que escreveu ao pai, pedindo-lhe que não cessasse de lhe enviar a pensão, pois estava quase terminando de escrever seu primeiro romance.

” ‘Querido pai: Cheguei a essa idade na qual se tem pleno domínio das próprias qualidades e a inteligência alcança sua força e capacidade máximas. É, portanto, o momento de realizar minha obra literária. Para realizá-la, necessito de tranquilidade e pouca distração, não ter que pedir dinheiro para Marguerite Duras nem estar o tempo todo me ocupando de convencê-lo de que vale a pena financiar a escritura de um romance que, afinal, quando o terminar e publicar e receber o aplauso das multidões, haverá de enchê-lo de orgulho paterno e de grande satisfação por saber ter sido generoso comigo. Seu filho, que lhe quer…’ ”

Com esta carta consegui adiar por um tempo o fim definitivo dos reembolsos postais. Provido de indubitável senso de humor e de um estilo muito sóbrio e direto, meu pai me respondeu:

‘Querido filho: Cheguei a essa idade na qual uma pessoa se vê obrigada a comprovar como seu filho se tornou um imbecil. Dou três meses para que termine a sua obra-prima. Além disso, quem é Marguerite Duras?’ ”

Eu não disse que lá fora é fácil e sim que lá fora é mais fácil do que aqui.

Prêmio Mérito Cultural

Enio e eu, em Ituiutaba.

Escrevi alguma coisa sobre não me importar muito com minha cidade natal, há algum tempo. Realmente, pouco dissertava sobre Ituiutaba em minhas obras. Isso mudou quando conheci Enio Eustáquio e uma prova é o meu livro “Abismo poente”, de 2009, que devolve a Ituiutaba a sua importância na minha formação, tanto intelectual quanto moral. Enio, com seu desapego, seu amor pelo triângulo mineiro e pela cultura da região, criou a ALAMI – Academia de Letras, Música e Artes de Ituiutaba e só por isto já entraria para a história. Conseguiu legitimá-la quando buscou o apoio e o reconhecimento da prefeitura e também quando trouxe nomes de peso para ocupar as cadeiras da instituição. Mas não parou por aí – como presidente da ALAMI idealizou o concurso “Contos do Tejuco” e mais tarde um prêmio para resenhas. Em 2009 bolou o “Prêmio Mérito Cultural”, que tem como missão destacar as principais produções culturais de artistas ituiutabanos. O Mérito Cultural premia os livros do ano, ator do ano, músico do ano e assim por diante. É uma APCA local. Então, a surpresa foi que “O livro da carne” foi escolhido como livro de poesia do ano e fui agraciado com o Prêmio Mérito Cultural. A cerimônia de entrega foi no dia 16 de dezembro e eu não pude comparecer. Mas queria abraçar o Enio e fui para Ituiutaba no dia 22, uma semana depois, para me encontrar com ele. Com toda essa história, o que quero dizer é que a ALAMI e seu diretor me resgataram, fizeram renascer em mim o respeito pela minha terra natal e também com que eu resolvesse contar algumas histórias que lá aconteceram. O romance “sol entre noites”, que estou finalizando, traz ainda mais de Ituiutaba para minha literatura. É uma dívida que estou quitando com minhas palavras e com a amizade – espero que sejam boas moedas de troca.