Séries

Todo final de semana, eu me sento em frente à televisão para colocar em dia as séries que curto. Recomendo todas, como poderão ver pelo meu entusiasmo a seguir.

 

Dexter

Essa série já vai pra sexta temporada e é sobre um serial killer que trabalha para a polícia, fazendo análises de sangue. Claro que ele não é um assassino como os demais. Como seu pai também era um policial e sabia de suas aptidões, inventou um código de honra e treinou Dexter para matar somente bandidos. Até aí tudo parece clichê, não é mesmo? Mas não é bem assim. A trama se passa em uma Miami em que os latinos têm muito poder e costumam se proteger dos nativos. Fico sempre torcendo pro Dexter se safar, mesmo sabendo que ele é um bandido. Os roteiros são muito criativos, cheios de viravoltas e quase sempre a gente fica se perguntando se, na vida real, existe um sujeito com tanta sorte quanto esse Dexter. Destaque para a irmã do serial, a Debra, que, de cada cinco palavras que pronuncia, solta quatro palavrões e para o investigador Vince Masuka, um japonês muito estranho.

 

The middle

Esta é uma comédia sobre uma família peculiar. Está na segunda temporada e, pelo menos para mim, o destaque é o Brick, um menino de sete anos, mais ou menos, muito inteligente, que tem dificuldades de se integrar à sociedade. Mike e Frankie são os pais de Brick e também de Sue e Axl. Axl é o bonitão burro, que se dá bem nos esportes e Sue é a feia e ingênua que quer ter uma adolescência inesquecível. Eu morro de rir com o Brick, principalmente quando ele tenta fazer amigos e não consegue. Mas é legal também quando está em algum lugar sem nenhum livro por perto e é obrigado a ler qualquer coisa ao seu alcance.

 

Modern Family

Essa série de comédia está na segunda temporada também e tem algo que a diferencia das outras: não tem aquelas risadas de fundo após cada piada. Ou seja: eu não sou forçado a rir quando não acho algo realmente engraçado. É sobre três famílias modernas: um casal de gays que adota uma criança asiática, um senhor que se casa com uma colombiana gostosa e uma loira, seu marido meio bobo e os três filhos. É claro que o título é uma ironia, porque, no final é óbvio que as famílias são muito tradicionais e cheias de preconceitos. Mas as piadas são ótimas e  Jesse Tyler Ferguson, que interpreta o afilhado gordinho do veterano Ed O’Neill, está arrebentando.

 

Facebook

Há poucos dias postei a seguinte mensagem no meu perfil do Facebook:

“A crítica recorrente em torno de minha obra é a de que não penso no leitor. Não acho que seja verdade. Eu apenas não subestimo nenhumleitor. Se alguém não pode dedicar duas horas de sua vida para ler um livro meu, melhor não ler mesmo. Agora, a quem se aventurar: garanto que vale a pena.”

A mensagem gerou muitos comentários – importar-se ou não se importar com o leitor, eis a questão. Penso que as duas coisas sejam válidas. Não sei se está certo quando um crítico literário diz que obra que presta é aquela simples, sem adjetivações. Essa besteria contaminou a literatura e está matando a poesia. Proust é ultrapassado. Outro dia li que Clarice Lispector se perde muito nos seus devaneios femininos. Já estão atacando Guimarães Rosa. Hilda Hilst então, deve mesmo ser esquecida em breve.

Sobre isso, sempre pensei que seria preconceito de minha parte julgar que as ciências exatas sejam mais complexas do que as humanas. Mas é isso mesmo, basta comparar a física quântica com a teoria literária e ver a evolução de cada uma. Eu acho muito salutar existir o sujeito que pensa em produzir um best seller e viver disso. Escrever um Harry Potter, um Senhor dos Anéis, um Alquimista e se dar bem. São obras simples, que deviam agradar a crítica. Por isso não entendo muito bem aonde um resenhista quer chegar. Nunca são claros seus critérios, parece tudo muito subjetivo, tudo na base do gostei, não gostei.

Lendo uma matéria na Folha sobre a banda Black Rebel Motorcycle Club, que faz um som difícil, gostei do comentário do baxista, Robert Levon Been: “Quando você começa a tocar sozinho no seu quarto, não está querendo agradar a ninguém, está apenas fazendo música para si próprio. Essa foi a nossa forma de recuperar aquele sentimento e não dar a mínima para o que as pessoas achavam.” Penso que falta isso na literatura, acho que estão preocupados demais com o  leitor. Quando escrevo, só quero, desesperadamente, que aquelas palavras me agradem. Não penso em nenhum outro leitor. Porque eu sei, claro, que existem centenas, milhares, milhões de pessoas iguais a mim, que gostarão, tanto quanto eu gostei, do que escrevi.

Black Rebel Motorcycle Club

 

Novidades

Participar da antologia “Geração zero zero” não mudou em nada minha vida, como esperado. Acho que me isolo muito, mas esse sossego, essa paz… Não sei se posso abrir mão deles. O Enio, da ALAMI, está organizando em Ituiutaba uma Feira Literária, acho que é a primeira na história da cidade. Aguardo ansioso mais detalhes. Semana passada não fui para o lançamento do livro “Exercícios ilusórios”, do meu querido Osvaldo Rodrigues, o Osvaldinho Ludoman. Amanhã tem o lançamento de “Poemas perversos”, do amigo Celso de Alencar, no Lugar Pantemporâneo, em São Paulo. Também não poderei comparecer. Tudo porque Helena está para chegar e eu quero estar por perto quando isso acontecer. Meu livro saiu – ainda não vi, mas já deixou a gráfica. Lançamento em outubro, em São Paulo. Eu e Ronaldo Cagiano ganhamos o ProAC da Secretaria de Estado da Cultura, para editarmos nosso Moenda de silêncios. Tentaremos lançar o livro ainda este ano.

sol entre noites