Debate Flip 2011

Organizado por Ovídio Poli Junior, aconteceu no Bar Zaratustra, como parte da programação da Off Flip. Mediado por Diogo Henriques, da Língua Geral, estiveram por lá: Carlos Henrique Schroeder, eu, Tony Monti, Veronica Stigger e Marne Lúcio Guedes. Marne também conduziu o papo, nos provocando: vocês acham que o bizarro dá conta da antologia? O que vocês acham da crítica literária atual? E assim por diante. Mas o melhor foi mesmo a leitura – expliquei que “sol entre noites” era continuação de “abismo poente” e que os contos deste último foram numerados de i a ix e por isso “sol entre noites” começava com o conto x, indo até o xvii, se não me engano.

Schroeder, eu, Tony, Stigger e Marne. Devo ter dito algo engraçado.

Leitura do conto "x", que está na antologia Geração zero zero.

Bonito este logo da Off Flip.

Ainda zero zero

Eu queria que a viagem de volta começasse logo para que eu pudesse ler os contos de Veronica Stigger e Tony Monti. Que surpresa! São dois grandes escritores. Primeiro, Stigger, que integra a antologia com o conto “Mancha”. Um texto bem planejado, com uma trama curiosa. Stigger nos apresenta uma estranha peça, em que Carol 1 e Carol 2 tentam explicar o que significam as manchas de sangue espalhadas pelo piso de um apartamento. Enquanto Carol 1 tenta se maquilar, inventa todo tipo de mentira para disfarçar o sumiço de um homem. Em vários momentos, temos a impressão de que Carol 1 é a segunda personalidade de Carol 2, ou vice-versa.

Tony Monti, que escreveu “Esc” e “Esboço de Ana” especialmente para o livro, é uma pessoa muito agradável, de quem gostei especialmente e com quem manteria contato sem problema nenhum. Confesso que fui aos seus contos temeroso, não queria que uma literatura de baixa qualidade estragasse os efeitos daquela primeira impressão. Literatura de baixa qualidade? Hahahahaha. Muito longe disso. Há uma habilidade tremenda em sua ficção, uma melancolia de meter medo no mais feliz e otimista indivíduo, um lirismo a toda prova. Ambos os contos tratam da solidão do homem face a tantos recursos escapistas: álcool, droga, sadomasoquismo e assim por diante. Achei especialmente líricas as histórias em que um sujeito perambula de festa em festa em um prédio condenado e outro, que tenta dar voz à sua raiva planejando como quebrar todos os copos da casa.

Ainda consegui ler os trabalhos de Andréa del Fuego, Marne Lúcio Guedes, Lourenço Mutarelli, Santiago Nazarian e Maria Alziar Brum Lemos, que comentarei oportunamente.

No lançamento, encontrei-me com os amigos Ronaldo Cagiano e Osvaldo Rodrigues, que autografará, na Livraria da Vila da Lorena, o seu “Exercícios ilusórios“, na terça-feira próxima. O livro está muito bom, edição bonita e eu recomendo honestamente. Osvaldo me levou um “Suicídios exemplares” autografado, provavelmente de presente, mas precisamos decidir isso ainda.

Exercícios ilusórios, a história de Ludoman Orni.