Visitas ilustres

Vieram em casa os escritores Osvaldo Rodrigues e Celso de Alencar. Vieram conhecer Helena. Vieram visitar Ana. Ficamos imensamente gratos por terem vindo. A amizade é algo essencial.

 

Osvaldo, eu e Celso, logo após o almoço.

 

Eu, Celso e Osvaldo. Nos fundos de casa, para não acordarmos Helena.

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Crônicas

Voltei a escrever crônicas para o site Crônica do dia. Aos domingos. Confira a de hoje aqui.

Novidades

Participar da antologia “Geração zero zero” não mudou em nada minha vida, como esperado. Acho que me isolo muito, mas esse sossego, essa paz… Não sei se posso abrir mão deles. O Enio, da ALAMI, está organizando em Ituiutaba uma Feira Literária, acho que é a primeira na história da cidade. Aguardo ansioso mais detalhes. Semana passada não fui para o lançamento do livro “Exercícios ilusórios”, do meu querido Osvaldo Rodrigues, o Osvaldinho Ludoman. Amanhã tem o lançamento de “Poemas perversos”, do amigo Celso de Alencar, no Lugar Pantemporâneo, em São Paulo. Também não poderei comparecer. Tudo porque Helena está para chegar e eu quero estar por perto quando isso acontecer. Meu livro saiu – ainda não vi, mas já deixou a gráfica. Lançamento em outubro, em São Paulo. Eu e Ronaldo Cagiano ganhamos o ProAC da Secretaria de Estado da Cultura, para editarmos nosso Moenda de silêncios. Tentaremos lançar o livro ainda este ano.

sol entre noites

Ainda zero zero

Eu queria que a viagem de volta começasse logo para que eu pudesse ler os contos de Veronica Stigger e Tony Monti. Que surpresa! São dois grandes escritores. Primeiro, Stigger, que integra a antologia com o conto “Mancha”. Um texto bem planejado, com uma trama curiosa. Stigger nos apresenta uma estranha peça, em que Carol 1 e Carol 2 tentam explicar o que significam as manchas de sangue espalhadas pelo piso de um apartamento. Enquanto Carol 1 tenta se maquilar, inventa todo tipo de mentira para disfarçar o sumiço de um homem. Em vários momentos, temos a impressão de que Carol 1 é a segunda personalidade de Carol 2, ou vice-versa.

Tony Monti, que escreveu “Esc” e “Esboço de Ana” especialmente para o livro, é uma pessoa muito agradável, de quem gostei especialmente e com quem manteria contato sem problema nenhum. Confesso que fui aos seus contos temeroso, não queria que uma literatura de baixa qualidade estragasse os efeitos daquela primeira impressão. Literatura de baixa qualidade? Hahahahaha. Muito longe disso. Há uma habilidade tremenda em sua ficção, uma melancolia de meter medo no mais feliz e otimista indivíduo, um lirismo a toda prova. Ambos os contos tratam da solidão do homem face a tantos recursos escapistas: álcool, droga, sadomasoquismo e assim por diante. Achei especialmente líricas as histórias em que um sujeito perambula de festa em festa em um prédio condenado e outro, que tenta dar voz à sua raiva planejando como quebrar todos os copos da casa.

Ainda consegui ler os trabalhos de Andréa del Fuego, Marne Lúcio Guedes, Lourenço Mutarelli, Santiago Nazarian e Maria Alziar Brum Lemos, que comentarei oportunamente.

No lançamento, encontrei-me com os amigos Ronaldo Cagiano e Osvaldo Rodrigues, que autografará, na Livraria da Vila da Lorena, o seu “Exercícios ilusórios“, na terça-feira próxima. O livro está muito bom, edição bonita e eu recomendo honestamente. Osvaldo me levou um “Suicídios exemplares” autografado, provavelmente de presente, mas precisamos decidir isso ainda.

Exercícios ilusórios, a história de Ludoman Orni.

Quinta, sexta

Sol.

Meu cunhado faleceu semana passada. Esse negócio de morte sempre deixa um rastro. E, no meio dessa tragédia anunciada, eu mergulhei no meu novo livro. Submergi mesmo, o que é uma coisa boa. O efeito colateral é que quando eu faço isso acabo deixando o resto pra trás. Aí quando o Celso de Alencar me fez o convite pra Quinta Poética, eu aceitei. É como retornar, essa obrigação de voltar à tona. Antes, marquei com meu editor, Alonso. Ficamos batendo papo num Fran’s durante quase quatro horas. É bom ouvir um cara desse naipe. Depois fui recitar uma poesia inédita, mas acho que não levo muito jeito pra esse negócio de ler em público o que eu escrevo. Embora haja uma obrigação: tudo o que sai da minha pena, leio para minha esposa. É um exercício interessante. Aliás, vai uma dica: se você não está conseguindo ir adiante com uma obra, tente lê-la em voz alta. Aí fiquei lendo, lendo, lendo. Outra dica? Kenneth Cook – Sobressalto. (Ele é australiano). Fui forçado a abrir uma Superinteressante. Nossa, é como um passatempo mesmo – fechar e esquecer. Aí fiquei sabendo que tem jogador no Brasil que ganha quase dois milhões de reais. Acho que chegou a um patamar insustentável, a menos que o torcedor não fique chateado por ter de pagar tio uns 400 reais por ingresso. A conta não fecha. Tudo bem, sempre tem um torcedor mecenas, mas isso também não vai ser para sempre. E pagar 400 reais para quê? Para ver um marmanjo judiar de uma bola. Vou colocando uns trechos do meu novo conto no Facebook. Resolvi que “Sol entre noites” vai ser um negócio mais acessível, porque acho que Borges tem razão. O melhor de Joyce não foi o Ulisses. Ulisses foi quase um ensaio, um ensaio magnífico, mas parece que o pesquisador agarrou o escritor pelo pescoço e o sufocou.

Festival da Mantiqueira

Cachoeira dos Pretos

Fomos, eu e Ana, para São Francisco Xavier novamente. Este ano, via Joanópolis, uma pequena cidade a quarenta quilômetros do nosso destino. Para quem gosta de natureza, é um caminho atraente. Passamos pela Cachoeira dos Pretos, maravilhosa. O porém é a estrada: de terra, travessia demorada. O melhor continua a ser o trajeto por São José dos Campos. Dois dias de literatura, estava com saudade do ar vaidoso dos escritores. Mas Osvaldo Rodrigues não é assim. Principalmente porque é nosso amigo. A melhor palestra da viagem foi a dele. Narrou-nos seu encontro com Ferreira Gullar nos anos 80. Acho que foi realmente nos anos 80. Minha memória não existe para datas e para nomes. Naquela época, lera um poema do maranhense e ficara tão impressionado que, com o livro ainda na mão, sem mala, sem cuia, corre para a rodoviária e segue para o Rio de Janeiro. Chegando lá, toma um coletivo para a livraria José Olympio, pois precisa do endereço do poeta. Consegue o telefone da redação do Jornal do Brasil: seria recebido no final da tarde. Conversam durante algumas horas e, ao se despedir, Gullar lamenta não poder manter contato com Osvaldo. Passava por problemas familiares. Sobre estas questões, o próprio José Ribamar Ferreira dissertou durante sua fala no Festival: dois filhos esquizofrênicos. Ouvir a história do poeta Osvaldo Rodrigues foi mais interessante do que acompanhar o maranhense contar da sua amizade com José Sarney.