A lógica

Sempre apreciei a lógica. Muitos sabem que sou doutor em engenharia e que, portanto, por força da profissão, já estudei com afinco e com profundidade essa matéria. Estudo ainda hoje. Vamos a um exemplo prático. Atualmente, vários críticos e escritores professam que o bom texto é aquele enxuto e que um texto que não segue essa regra básica é arcaico, preciosista. Iniciou-se uma caça às bruxas aos adjetivos. Ora, podemos concordar que um texto de Machado de Assis é qualquer coisa menos enxuto. Assim, segundo os critérios contemporâneos, Machado de Assis não seria um bom autor, pois não escreve romances enxutos. Nem contos enxutos. O problema é que não ouço ninguém por aí metendo o pau em Machado de Assis, ninguém defende que Machado de Assis é um escritor ultrapassado, sem qualidade. Que Clarice era preciosista. Que Guimarães Rosa também era. E eram sim. Ninguém em sã consciência vai sustentar em um debate que foram péssimos escritores. Balzac, Proust? O problema, senhoras e senhores, é que o olhar contemporâneo não pode ter o poder de destruir o olhar histórico, o problema é que os critérios estabelecidos ontem ou agora não são verdades universais e a arte está acima de classificações, porque a arte não depende da visão progressista da ignorância. O problema, senhores e senhoras, é o homem e não a arte.

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