Policiais e Vigotsky

Educação

Não quero fazer apologia a nada, até porque é uma questão muito complicada essa da segurança (vide caso filho da Cissa Guimarães). Vou apenas narrar o que aconteceu comigo. Ontem no final da tarde vinha eu por esta cidade nova para mim, dirigindo dentro dos limites de velocidade, num bairro central, procurando um banco para fazer um saque. De repente vem correndo um carro da polícia atrás de mim, me ultrapassa e começa a andar devagar na minha frente. Dois policiais começaram a gesticular freneticamente. Entendi que eu devia estacionar, talvez quisessem conferir meus documentos. Dei seta, estacionei. Desceram os dois, revólveres em punho.

– Boa noite.

– Boa noite, respondi.

– Seu filho da puta, você não está vendo que a porra do seu farol está alto?

– Nossa, perdoe-me, estou me mudando agora para esta cidade, não percebi, não tinha a intenção de atrapalhar ninguém. Ainda não está totalmente escuro, não notei. Perdoe-me, senhor.

– Porra, não viu que eu estava sinalizando para abaixar a merda do farol? Você é burro ou é cego?

– Nossa, desculpe-me, não conhecia este sinal que o senhor estava fazendo.

Como tenho muito medo de policiais, sempre inseria uma palavra de desculpa entre as frases. Mas não adiantou muito, ele levantava cada vez mais a voz:

– Caralho, fica esperto, porra. Essa merda está cegando todo mundo. Abaixa essa porcaria logo.

Ao gritar, ficava agitando a arma e eu tive medo que o revólver disparasse acidentalmente.  Concordei com tudo, na esperança que ele fosse embora logo. O guarda do outro lado da porta continuava de arma em punho, rindo.

– Perdoe-me, eu realmente não percebi.

– Olha só, não deixa eu te ver de novo pela cidade não, beleza?

Então eu ponderei que ou tenho de trocar de carro ou mudar a placa do meu. Porque mais cedo ou mais tarde nós vamos nos avistar de novo. A gente sempre encontra problema, mesmo sem procurar.