Evolução

O próprio título deste post pode ser pensado como uma crítica ou como um convite ao estudo de alguns livros de Richard Dawkins, também. Mas meu objetivo é um pouco mais humilde, embora, de maneira alguma, queria fazer qualquer tipo de crítica ao que quer que seja. É somente uma reflexão. Sei que não adianta, mesmo com argumentos, tentar mudar a opinião da maior parte das pessoas, no que diz respeito à religião. Quem é religioso continuará a ser religioso e a respeitar seus dogmas, apesar de qualquer prova e quem é ateu, assim seguirá sua vida, no ateísmo.

O interessante é que sempre ouço falar que a igreja não pode mudar suas posições com o passar do tempo e aqui me refiro à igreja católica. Que as leis foram criadas por Deus e que não dependem da época. Só que, se formos pensar direitinho, a religião parece ter superado a escravidão (ficando apenas neste exemplo). Pelo menos não encontramos mais padres professando que é bom que se tenha um escravo no quintal de casa, para ajudar no trabalho. Se não me engano, de vez em quando a igreja até se embrenha em alguma campanha contra a escravidão nos dias atuais (que existe, lógico). Então, por acaso, estava lendo um trecho do Êxodo, que defendia que não devemos cobiçar a mulher do próximo, nem os escravos do próximo. Ora, se a igreja não concorda mais com escravos, só resta dizer que a palavra de Deus foi superada, já que se acredita que a Bíblia foi escrita por homens, inspirados por Deus.

Assim, acompanhei outro dia que o Santo Padre condenou a união Gay, utilizando o mesmo texto sagrado para sustentar seu julgamento. Claro que os homossexuais estão se lixando para o que o Papa professa, mas eu acho que é questão de tempo para a igreja rever seu posicionamento radical (há pouco reviu algo sobre a camisinha, alguém se lembra?). Não serei tão radical quanto Christopher Hitchens, mas estou certo que em alguns anos outros “furos” do livro cairão por terra.

Um mundo esquisito

Banana ao telefone

Desde a infância até a pré-adolescência, jamais comprei roupas ou sapatos. Quem fazia isso por mim era minha mãe. Claro que ela me levava com ela até as lojas, mas podia ter evitado expor seu filho daquela maneira. Íamos de Pernambucanas em Pernambucanas, passávamos a tarde inteira pechinchando. Só saíamos de algum lugar com algum pacote quando o produto unia um preço baixo a uma qualidade superior e a generosas formas de pagamento. Três ou quatro vezes sem juros, geralmente. Visitávamos nove, dez estabelecimentos e muitas vezes comprávamos a camiseta ou o tênis que víramos naquela primeira loja, na qual entramos no início do dia. Isso me traumatizou bastante, porque Ituiutaba era uma cidade quente, muito quente e eu detestava ficar experimentando roupas suado. Por que não podia usar aquela camiseta com um furo na manga pro resto da vida? Ou o kichute que ainda duraria mais uns quatro ou cinco anos? Carrego até hoje este pavor por compras. Por isso, quando me perguntam se gosto de Internet, respondo que sim, porque ela me salvou do contato comprador-vendedora. Um corpo-a-corpo de fazer inveja à seleção holandesa desta Copa. Agora só compro sapatos, calças e camisas em lojas virtuais. Muito bom. Quando visito uma camisaria na Internet já adquiro umas dez camisas logo de uma vez para poder ficar dois, três anos sem comprar mais nada. Há também outras coisas deste planeta com as quais não me acostumo: telefone e campainha. Não adianta bater na porta aqui de casa. Se estou sozinho, não atendo mesmo. Telefone também não me atrai muito não. Para mim é uma coisa surreal isso de telefonar (mesmo assim, sim, tenho celular). Já notaram que quando falamos neste aparelhinho, não podemos nos calar e um silêncio de um segundo é uma tortura insuportável? Ao vivo, a coisa não é assim. Pode-se ficar até meia hora em silêncio, que está tudo certo, o interlocutor sabe que você ainda está ali, na maioria das vezes. Eu acho que existem muitas coisas estranhas neste mundo.