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Participar da antologia “Geração zero zero” não mudou em nada minha vida, como esperado. Acho que me isolo muito, mas esse sossego, essa paz… Não sei se posso abrir mão deles. O Enio, da ALAMI, está organizando em Ituiutaba uma Feira Literária, acho que é a primeira na história da cidade. Aguardo ansioso mais detalhes. Semana passada não fui para o lançamento do livro “Exercícios ilusórios”, do meu querido Osvaldo Rodrigues, o Osvaldinho Ludoman. Amanhã tem o lançamento de “Poemas perversos”, do amigo Celso de Alencar, no Lugar Pantemporâneo, em São Paulo. Também não poderei comparecer. Tudo porque Helena está para chegar e eu quero estar por perto quando isso acontecer. Meu livro saiu – ainda não vi, mas já deixou a gráfica. Lançamento em outubro, em São Paulo. Eu e Ronaldo Cagiano ganhamos o ProAC da Secretaria de Estado da Cultura, para editarmos nosso Moenda de silêncios. Tentaremos lançar o livro ainda este ano.

sol entre noites

Celso de Alencar

Poeta Celso de Alencar

Celso é um grande poeta. Sim, é meu amigo, mas é também um grande poeta. Estes versos que publico abaixo são de seu novo livro, ainda inédito, “Poemas perversos”.

DEVOLVAMOS O RIO

 (Celso de Alencar)

Devolvamos o rio.

Devolvamos tudo aquilo que lhe pertence.

O silêncio das manhãs entreabertas.

O sol atravessando o orvalho com

formato de um ombro inteiro.

As bandeirolas de papel crepom resplandecente.

Os barcos e seus porões de pequenas estátuas.

O gozo do redemoinho deslumbrado.

As árvores derramando flores

sobre as corredeiras.

O cântico dos pássaros que se banham nas margens

onde dormem os cavalos levemente embriagados.

Os segredos dos namorados

e a inocência dos corações emigrantes.

Devolvamos as pequenas ondas.

Os pequenos pescadores

com seus sonhos transparentes

e os peixes.

Devolvamos a morte estremecente

além da morte

o cemitério viajante e afundado.

Devolvamos tudo, inclusive o leito experimentado

que acolhe a vastidão de nomes inteiros

e a vida com suas mamas profundamente desfiguradas.

Devolvamos o rio.