Feira do Livro

Esquimó

Li em algum lugar que o curador da Flip é muito cuidadoso com a escolha dos mediadores das mesas do evento. Esse cuidado falta aos organizadores da Feira do Livro de Ribeirão Preto. Ontem fui assistir à fala do Fabrício Corsaletti e, se não fosse a humildade e o jogo de cintura do poeta, sairia de lá desapontado. A pobre senhora, que tinha a tarefa de apresentar o escritor ao público, resolveu que talvez devesse ser a estrela do evento e exagerou. Cometeu muitas gafes: se esqueceu do nome de seu interlocutor, quis explicar poemas, argumentou que desconhecia a obra de Corsaletti, confundiu-o com o Carpinejar. Como se não bastasse, antes de encerrar a mesa, pediu a Fabrício que fizesse uma pergunta ao público. Incômodo geral. Já a apresentação da escritora Susana Fortes ficou por conta de uma fera: Lola Aybar, tarimbada, eficiente, com profundo conhecimento da obra da romancista espanhola. Fez o que todo mediador deve fazer: perguntas certas. Não perdeu tempo com divagações ou longas explicações. Resumindo: dizem que o melhor juiz de futebol é aquele cujo nome, ao final da partida, ninguém se lembra. Ontem, show empolgante de Tom Zé, para variar.

A Feira do Livro, de um modo geral, está mais fraca este ano. Destaque para a banca da cubana Citmatel, com seus CDs e DVDs didáticos.