Prêmios literários

Cinco dias em Guarulhos, cidade que não conhecia. Pouco mais de uma hora de van para chegar ao campus da instituição que sediaria o congresso. O motorista, solícito, me deu todas as dicas e consegui andar pelo centro com um pouco mais de segurança. A primeira pergunta que me faço quando chego a uma cidade nova é: eu moraria aqui? Assim, ponderando sobre prós e contras, julgo ter uma visão crítica dos lugares. Entre uma apresentação e outra, consegui adiantar umas dez linhas de um conto, rabiscar um início de prefácio e ler algumas páginas de Agustina Bessa-Luís. Foi tudo. A partir do dia 28 próximo, a vida muda. Os últimos compromissos “sérios” estão marcados para este dia. Domingo, na Folha, uma interessante matéria sobre os prêmios literários no Brasil. O dono da Record ficou nervoso porque premiaram Chico e não Edney e decidiu que sua editora não participará mais do Jabuti. Achei muito interessante uma frase de um entrevistado: os prêmios literários hoje dependem de celebridades para se tornarem conhecidos. Antes eles lançavam autores, agora autores precisam lançá-los. Claro que o Brasil está engatinhando nessa história de prêmio literário: existem aqueles que pagam fortunas para um ou dois autores e aqueles que pagam uma miséria para um ou dois desconhecidos. Aqueles bancados por grandes instituições e aqueles lançados por prefeituras e secretarias municipais de cultura. Mas não existe o meio termo. Um prêmio de quinze mil reais, que atrairia autores iniciantes? Nem pensar. Um prêmio exclusivo para autores independentes? Não, só lá fora. De maneira que um Jabuti ganha a função de laurear os mesmos cânones de sempre. E os jornais contribuem: destacam somente Edney e Chico. Sobre isso, encontrei uma página engraçada: Chico, devolve o Jabuti! Então, acho que isso acontece só no Brasil: a existência de um autor desconhecido que ganhou mais de cem prêmios literários e a de um jornalista que escreve um romance e papa todos os prêmios do ano em seu livro de estreia – uma obra-prima, comentam.