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Há poucos dias postei a seguinte mensagem no meu perfil do Facebook:

“A crítica recorrente em torno de minha obra é a de que não penso no leitor. Não acho que seja verdade. Eu apenas não subestimo nenhumleitor. Se alguém não pode dedicar duas horas de sua vida para ler um livro meu, melhor não ler mesmo. Agora, a quem se aventurar: garanto que vale a pena.”

A mensagem gerou muitos comentários – importar-se ou não se importar com o leitor, eis a questão. Penso que as duas coisas sejam válidas. Não sei se está certo quando um crítico literário diz que obra que presta é aquela simples, sem adjetivações. Essa besteria contaminou a literatura e está matando a poesia. Proust é ultrapassado. Outro dia li que Clarice Lispector se perde muito nos seus devaneios femininos. Já estão atacando Guimarães Rosa. Hilda Hilst então, deve mesmo ser esquecida em breve.

Sobre isso, sempre pensei que seria preconceito de minha parte julgar que as ciências exatas sejam mais complexas do que as humanas. Mas é isso mesmo, basta comparar a física quântica com a teoria literária e ver a evolução de cada uma. Eu acho muito salutar existir o sujeito que pensa em produzir um best seller e viver disso. Escrever um Harry Potter, um Senhor dos Anéis, um Alquimista e se dar bem. São obras simples, que deviam agradar a crítica. Por isso não entendo muito bem aonde um resenhista quer chegar. Nunca são claros seus critérios, parece tudo muito subjetivo, tudo na base do gostei, não gostei.

Lendo uma matéria na Folha sobre a banda Black Rebel Motorcycle Club, que faz um som difícil, gostei do comentário do baxista, Robert Levon Been: “Quando você começa a tocar sozinho no seu quarto, não está querendo agradar a ninguém, está apenas fazendo música para si próprio. Essa foi a nossa forma de recuperar aquele sentimento e não dar a mínima para o que as pessoas achavam.” Penso que falta isso na literatura, acho que estão preocupados demais com o  leitor. Quando escrevo, só quero, desesperadamente, que aquelas palavras me agradem. Não penso em nenhum outro leitor. Porque eu sei, claro, que existem centenas, milhares, milhões de pessoas iguais a mim, que gostarão, tanto quanto eu gostei, do que escrevi.

Black Rebel Motorcycle Club

 

Um pouco de literatura

Instrumento educativo

Estou um pouco cansado da Pedagogia. No Brasil, os cursos de Pedagogia são voltados para crianças. Ou seja – se um sujeito quiser ser professor universitário ou de cursinho ou colegial, não deve procurar a Pedagogia. Ingressei em um curso à distância da UFSCar em 2008 e, apesar de reconhecer a qualidade que a universidade oferece, mesmo à distância, tenho me sentido um peixe fora d’água. Porque não tenho interesse em lecionar para crianças e, se depender de mim, jamais o farei. Então tento adaptar o que leio à minha prática, que se resume em dar aulas em cursos técnicos e superiores. É isso.

Li as resenhas do Alcir Pécora publicadas na Folha de São Paulo nos últimos meses. Apesar de concordar com muita coisa que o crítico escreveu, tenho um certo receio de que ele pegue um livro meu pela frente. Porque são poucas as obras que ele elogia, o que significa que a literatura brasileira contemporânea é uma merda. E eu não estou tão certo disso. Neste último final de semana desceu a lenha (com argumentos) nos lançamentos de Nelson de Oliveira e Joca Reiners Terron.

Para terminar, tem uns poemas de meu último livro aqui.