Há poucos dias fiquei contente e um pouco alerta com o lançamento do 22 Concurso Luiz Vilela. Atento, pois o edital apresentado havia sofrido mudanças profundas, se comparado com os editais dos 20 anos anteriores. Conheço o Luiz Vilela e desconfiava que ele não havia sido consultado sobre as mudanças. De qualquer maneira, o Vilela desautorizou a Fundação Cultural de Ituiutaba, bem como a divulgação do concurso. Abaixo a carta que ele me enviou hoje sobre o assunto, que foi enviada ao presidente da Fundação, e que já está sendo divulgada em toda a Internet e em outros meios:

 

Ituiutaba, 22 de maio de 2012.
Exmo. Sr. Francisco Roberto Rangel

Presidente da Fundação Cultural de Ituiutaba

Prezado Senhor:

Li, com absoluto espanto, na edição de 18 do corrente do “Jornal do Pontal”, o edital de lançamento do 22.º Concurso de Contos Luiz Vilela, com o respectivo regulamento.

Tal espanto se explica pelo fato de que a mim, o autor homenageado do concurso, nenhuma informação prévia, a respeito, fora dada por essa Fundação, o que, mais do que uma indelicadeza, se configura como uma total falta de consideração para comigo.

Mil vezes pior, entretanto, foi constatar que, numa atitude nunca vista nestes mais de vinte anos de existência do concurso, uma atitude de desrespeito, arbítrio e prepotência, a Fundação fez, sem meu conhecimento, e, portanto, sem minha aprovação, uma série de alterações no regulamento, regulamento este que desde os primórdios do concurso foi sempre elaborado por mim.

Confessando-me profundamente indignado com tais procedimentos, venho pedir a essa Fundação que de imediato e doravante, e em caráter irrevogável, retire o meu nome do concurso de contos e de tudo o mais que a ele se refira, e, ainda, que, usando ela dos meios de divulgação a seu dispor, dê a todos os possíveis interessados ciência desta medida.

Por fim, informo que qualquer ação contrária ao meu desejo, expresso nesta carta, será por mim considerada não só uma afronta pessoal mas também uma
agressão aos meus direitos de cidadão, sobretudo o que tange ao uso de nome.

Sem mais para o momento, subscrevo-me,

 

Luiz Vilela

Desinformação

Como professor, sei que a coisa mais complicada que existe é dar uma aula ou falar sobre um assunto que não domino. Como ex-resenhista e ex-articulista, eu também sei disso. Então, eu estava lendo o jornal de hoje e me deparei com a seguinte matéria: “Lições de administração com um poeta”. Ora, administrador entender de poesia é coisa rara, fato decisivo para que eu me aventurasse pelo texto, de Rogério Amato:

“Li recentemente um artigo interessante do poeta russo nascido na Geórgia Vladimir Maiakovski.

Ele dizia: ‘Na primeira noite, eles se aproximam e colhem uma flor, e não dizemos nada. (…)'”

Decidi parar por aí. Para começar, não se trata de um artigo e sim de uma poesia e seu autor não é Maiakóvski e sim Eduardo Alves da Costa. Eduardo caiu numa armadilha: intitulou o conjunto de versos de “No caminho com Maiakóvski” e isso lhe tem gerado inúmeras dores de cabeça. O que é de se estranhar é um jornal do porte da Folha não ter um revisor que sacasse isso e fizesse a correção antes de publicar a matéria.

Erro semelhante ocorreu nos meus tempos de estudante de Letras. Minha turma confeccionou uma camiseta com a poesia, dando sua autoria a Maiakóvski. Quando vieram me oferecer uma, recusei, alegando que quem havia escrito os versos era Eduardo Alves da Costa. Pra quê? Fiz inimigos para o resto da vida.

Mas como é mesmo aquele dito popular? Perco o amigo mas não perco a chance de corrigir um engano?

O poeta Eduardo Alves da Costa

O poeta Eduardo Alves da Costa

VII Concurso Contos do Tijuco “Whisner Fraga”

Regulamento

1 – A Academia de Letras, Artes e Música de Ituiutaba – ALAMI – promove o VII Concurso Contos do Tijuco, uma atividade de caráter lítero-cultural sem fins lucrativos, que nessa edição homenageia o escritor Whisner Fraga.

2 – Poderão inscrever-se escritores brasileiros, residentes no país ou no exterior. A inscrição implica concordância automática com todas as clausulas deste regulamento.

3 – O conto deverá ser em língua portuguesa, inédito e apresentado em quatro vias digitadas em corpo 12. Cada participante poderá inscrever apenas um conto, sem limite de páginas e sem restrição quanto à forma e ao conteúdo.

4 – É obrigatório o uso de pseudônimo logo abaixo do título do conto e na parte externa de um envelope, com o título repetido. O envelope, lacrado, deve conter, além do conto, o nome do autor, o endereço, o telefone, o e-mail, os dados biográficos e uma cópia xerográfica da carteira de identidade (frente e verso).

5 – O prazo para a inscrição termina, impreterivelmente, no dia 31 de agosto de 2012, valendo a data do carimbo do correio ou o comprovante de entrega em mãos, no seguinte endereço:

ALAMI – Academia de Letras, Artes e Música de Ituiutaba –.
Avenida 19-A entre ruas 38 e 38-A, nº. 332.
Ituiutaba –MG – CEP 38.300.122

6 – Os contos serão julgados por uma Comissão formada por três membros, de notória competência na matéria, não pertencentes à ALAMI.

7 – Ao autor do conto premiado será oferecido como prêmio a quantia de R$400,OO (quatrocentos reais) e certificado e livros da biblioteca da ALAMI.

8 – O conto premiado será publicado no blog da ALAMI – solardaliteratura.blogspot.com – e outros sites literários que prestam serviços de divulgação de concursos de contos. A Comissão poderá selecionar mais nove contos, sem classificação, para possível publicação em livro.

9 – O resultado do concurso sairá numa data bem próxima do dia 16 de Setembro, fazendo, assim, parte das comemorações do aniversário de Ituiutaba. O resultado do concurso será divulgado no blog: http://www.solardaliteratura.blogspot.com – e outros sites literários que prestam serviços de divulgação de concursos de contos.

10 – A entrega do prêmio ao ganhador do concurso e a entrega do “Certificado de Participação” aos autores dos nove contos selecionados será em data a ser informada. – pelo telefone ou e-mail -.

1 – Poderá a comissão julgadora deixar de outorgar o prêmio, se avaliar que a ele nenhum dos contos faz jus. (não haverá devolução dos contos recebidos).

12 – Poderá a ALAMI publicar um livro com o conto vencedor e os nove contos selecionados pela Comissão Julgadora.

13 – As decisões da Comissão Julgadora são irrecorríveis.

14 – Os casos omissos neste regulamento serão resolvidos pela ALAMI

Ituiutaba, 1º de Maio de 2012.

Comissão Organizadora:
Regina Souza Marques de Almeida – Coordenadora.
Membros:
José Maria Franco de Assis
Sonone Luiz
Adelaide Pajuaba Nehme
José Moreira Filho
Enio Eustáquio Ferreira

Memória

Todos os meus avós faleceram há algum tempo. Conversando hoje com meu irmão, perguntei a ele se ele se lembrava dos nomes de todos eles. Juntos, nos esforçamos e chegamos aos nomes e sobrenomes dos pais de meu pai. Mas sobre os pais de minha mãe, esses mortos há mais tempo, não conseguimos um acordo quanto aos sobrenomes. Meu objetivo original era alcançar os dados de meus bisavós e aí, nada. Resultado: nossa memória alcançou muito perto, de modo que, quando algum escritor me diz que o importante é que a obra seja lembrada depois que ele esteja morto, eu penso que isso é uma grande bobagem. Vaidade. Desejamos reconhecimento agora, que estamos vivos. Depois, ninguém sabe o que virá, por mais que se especule. Além do mais, parece-me óbvio que o máximo que nossa obra sobreviverá a nós é quase nada diante dos milhões de anos de história da humanidade.

Educação

Li agora num jornal: “o momento é de desaceleração na economia, e a escola é o primeiro item que a família deixa de pagar.” Há muito o que ponderar sobre a frase. Primeiro, que aparentemente a sociedade até parece achar que a educação tem alguma importância e por isso se mete a matricular os filhos em escolas “de excelência”, pagas, evidentemente. Mas quando a coisa aperta, parece ser mais importante bancar o novo celular, o novo tablet, o novo carro, do que quitar as mensalidades da escola do filho. Daí percebemos que educação virou bem de consumo.

Os pais, a qualquer custo, procuram as melhores instituições. Ensino fundamental e médio, não tem jeito, é pagar uma escola privada de grife. Depois enfiar a prole em uma universidade pública, se a garotada for CDF. Tudo porque ainda existe o sonho de que basta cursar boas escolas para se dar bem na vida.

Hoje há escola para a maioria, mas o modelo ainda é o mesmo do de 1970: educação de qualidade só para a elite. A coletividade interioriza a opressão e arruma um jeitinho de vencer o próximo. Para se ter sucesso, só é preciso se esforçar, quem faz a escola é o aluno. Nossa, quanto senso comum, quanta ignorância. Assim, todos se esquecem que a educação não é um bem, não devendo estar sujeita exclusivamente a leis de mercado. O problema é que são muitos os que prescindem do direito à educação de qualidade.

O homem de meia cidade

Quem é que nunca digitou o próprio nome em algum mecanismo de busca para ver o que acontece? Eu faço isso de vez em quando. Nesta brincadeira, algumas surpresas sempre acontecem. Como hoje, que encontrei o seguinte vídeo, sobre meu conto “O homem de meia cidade”, publicado na revista “e”, do Sesc, há alguns anos:

Evolução

O próprio título deste post pode ser pensado como uma crítica ou como um convite ao estudo de alguns livros de Richard Dawkins, também. Mas meu objetivo é um pouco mais humilde, embora, de maneira alguma, queria fazer qualquer tipo de crítica ao que quer que seja. É somente uma reflexão. Sei que não adianta, mesmo com argumentos, tentar mudar a opinião da maior parte das pessoas, no que diz respeito à religião. Quem é religioso continuará a ser religioso e a respeitar seus dogmas, apesar de qualquer prova e quem é ateu, assim seguirá sua vida, no ateísmo.

O interessante é que sempre ouço falar que a igreja não pode mudar suas posições com o passar do tempo e aqui me refiro à igreja católica. Que as leis foram criadas por Deus e que não dependem da época. Só que, se formos pensar direitinho, a religião parece ter superado a escravidão (ficando apenas neste exemplo). Pelo menos não encontramos mais padres professando que é bom que se tenha um escravo no quintal de casa, para ajudar no trabalho. Se não me engano, de vez em quando a igreja até se embrenha em alguma campanha contra a escravidão nos dias atuais (que existe, lógico). Então, por acaso, estava lendo um trecho do Êxodo, que defendia que não devemos cobiçar a mulher do próximo, nem os escravos do próximo. Ora, se a igreja não concorda mais com escravos, só resta dizer que a palavra de Deus foi superada, já que se acredita que a Bíblia foi escrita por homens, inspirados por Deus.

Assim, acompanhei outro dia que o Santo Padre condenou a união Gay, utilizando o mesmo texto sagrado para sustentar seu julgamento. Claro que os homossexuais estão se lixando para o que o Papa professa, mas eu acho que é questão de tempo para a igreja rever seu posicionamento radical (há pouco reviu algo sobre a camisinha, alguém se lembra?). Não serei tão radical quanto Christopher Hitchens, mas estou certo que em alguns anos outros “furos” do livro cairão por terra.

Ecad

Que coisa mais estranha essa história do Ecad. Conversando com um colega hoje, ele me disse que o Escritório está correndo atrás de cobrar direitos autorais até daquelas músicas que ficam tocando no telefone enquanto a gente espera alguém atender a nossa chamada. Brincou que daqui a alguns dias correrão atrás até dos Ringtones. É possível.

Download do conto “doze”

Quem quiser ler o meu conto publicado na revista “e”, é só fazer o download do arquivo abaixo. A minha amiga Cíntia escaneou as três páginas da revista e inseriu em um arquivo pdf. Boa leitura!

Doze