Peter Pan lê Peter Pan

Um livro da Kiera Cass vende 400 mil exemplares no Brasil. Pedro Bandeira teve um milhão de livros negociados em determinado ano. Marcelo, Marmelo, Martelo, da Ruth Rocha conquistou muito mais de um milhão de leitores. Bom, estamos falando de uma luta que começa lá no final dos anos 1960. Estamos falando de literatura infanto-juvenil e de formação de leitores, certo? Nem vamos chegar a Harry Potter e companhia para não complicarmos o assunto. Beleza. Prestaram atenção no termo “formação de leitores”? Então, vamos tratar agora de autores de livros para adultos. O autor que mais vende hoje no Brasil talvez seja o Milton Hatoum: foram comercializados 200 mil exemplares dos livros de maior sucesso dele (e estou falando de 5 ou 6 obras). A premiada obra de Cristovão Tezza,  O filho eterno, vendeu 70 mil exemplares. Vamos fazer umas contas. Perderam-se, no meio do caminho, 930 mil leitores, entre Rocha e Tezza. Ou 330 mil leitores, entre Cass e Tezza. Porque, convenhamos, literatura infanto-juvenil é também, ou deveria ser, literatura de formação. É meio óbvio que os leitores de Pedro Bandeira avançassem, em algum momento, para Machado de Assis. Gastam-se bilhões esperando que isso aconteça. Editores entopem os bolsos de grana. O que acontecem com esses leitores? São eternos Peter Pans? A literatura infanto-juvenil só consegue criar leitores infanto-juvenis para o resto da vida?

peterpan

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