Mensagem de fim de ano

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“Abajo había, pues, un pueblo, y él era su alcalde y acaso llamaba desde el porvenir un incierto destino. Mañana, ayer. Las palabras estaban granadas de años, de siglos. El anciano Chauqui contó un día algo que también le contaron. Antes todo era comunidad. No había haciendas por un lado y comunidades acorraladas por otro. Pero llegaron unos foráneos que anularon el régimen de comunidad y comenzaron a partir la tierra en pedazos y a apropiarse de esos pedazos. Los indios tenían que trabajar para los nuevos dueños. Entonces los pobres -porque así comenzó a haber pobres en este mundo- preguntaban: «¿Qué de malo había en la comunidad?» Nadie les contestaba o por toda respuesta les obligaban a trabajar hasta reventarlos. Los pocos indios cuya tierra no había sido arrebatada aún, acordaron continuar con su régimen de comunidad, porque el trabajo no debe ser para que nadie muera ni padezca sino para dar el bienestar y la alegría. Ese era, pues, el origen de las comunidades y, por lo tanto, el de la suya. El viejo Chauqui había dicho además: «Cada día, pa pena del indio, hay menos comunidades. Yo he visto desaparecer a muchas arrebatadas por los gamonales. Se justifican con la ley y el derecho. ¡La ley!; ¡el derecho! ¿Qué sabemos de eso? Cuando un hacendao habla de derecho es que algo está torcido y si existe ley, es sólo la que sirve pa fregarnos. Ojalá que a ninguno de los hacendaos que hay por los linderos de Rumi se le ocurra sacar la ley. ¡Comuneros, témanle más que a la peste!» Chauqui era ya tierra y apenas recuerdo, pero sus dichos vivían en el tiempo. Si Rumi resistía y la ley le había propinado solamente unos cuantos ramalazos, otras comunidades vecinas» desaparecieron. Cuando los comuneros caminaban por las alturas, los mayores solían confiar a los menores: «Ahí, por esas laderas -señalaban un punto en la fragosa inmensidad de los Andes-, estuvo la comunidá tal y ahora es la hacienda cual» Entonces blasfemaban un poco y amaban celosamente su tierra.”

(Trecho de “El mundo es ancho y ajeno”, de Ciro Alegría).

 

“Abaixo havia, pois, um povoado, e ele era o seu alcaide e talvez o chamasse no futuro um destino incerto. O velho Chauqui contou um dia algo que também lhe contaram. Antes tudo era comunidade. Não havia fazendas de um lado e comunidades fechadas de outro. porém chegaram uns estranhos que anularam o regime de comunidade e começaram a dividir a terra em pedaços. Os índios tinham que trabalhar para os novos donos. Então os pobres – porque assim começou a haver pobres neste mundo – perguntavam: “Que mal havia na comunidade?” Ninguém lhes dava resposta ou como resposta os obrigavam a trabalhar até se arrebentarem. Os poucos índios cuja terra não tinha sido ainda arrebatada, resolveram continuar com o seu regime de comunidade porque o trabalho não deve ser motivo para que se morra e sofra, mas para proporcionar o bem-estar e a alegria. Essa era, pois, a origem das comunidades e por conseguinte, da sua. O velho Chauqui tinha dito mais: “Cada dia, para o sofrimento dos índios, há menos comunidades. Eu vi desaparecer muitas arrebatadas pelos poderosos. Eles se justificam com a lei e o direito. A lei! o direito! Que sabemos sobre isso? Quando um estancieiro tem o direito é que algo está errado e se existe lei é só a que serve para nos molestar. Queira Deus não ocorra a nenhum dos fazendeiros que se limitam com Rumi a invocar a lei. Comuneiros, temam-na mais do que a peste!” Chauqui era já terra e apenas lembrança, porém os ditos viviam no tempo. Se Rumi resistia e a lei lhe tinha dado somente algumas lambadas, outras comunidades vizinhas tinham desaparecido. Quando os comuneiros subiam às alturas, os maiores costumavam confiar aos menores: “Aí por essas ladeiras – designavam um ponto na áspera imensidade dos Andes – esteve a comunidade tal e agora é a fazenda tal”. Então blasfemavam um pouco e amavam ciumentamente a terra.”

 

(Tradução do trecho feita por Olga Savary)

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