Antonio Cisneros

 

REQUIEM (3)

A las inmensas preguntas celestes
no tengo más respuesta
que comentarios simples y sin gracia
sobre las muchachas
que viven por mi casa
cerca del faro y el malecón Cisneros.
Y no pretendan ver
en la cháchara tonta esa humildad
de los antiguos griegos.
Ocurre apenas
que las inmensas preguntas celestes
sacan a flote
mi desencanto y mis aburrimientos.
Que a la larga
me tienen dando vueltas
como un zancudo al final de la tarde.
Haciendo tiempo,
mientras llega la hora de oficiar
mis pompas funerarias,
que no serán gran cosa
por supuesto.
En estos tiempos malos bastará
con una mula vieja
y un ánfora de palo
brillante y negra
como el lomo mojado de un delfín.
¡Ah las preguntas celestes!
Las inmensas.

 

(Antonio Cisneros , poeta peruano que faleceu ontem)

Anúncios

2 comentários sobre “Antonio Cisneros

  1. “…como um mosquito no final da tarde.” (sempre sinto uma certa solidão nessas frases perfeitas) * que bela postagem.

    e aí, whisner, quando vais postar aqui as noticias do lançamento de “moendas de silencio”?

    estamos esperando.

    abraços,
    enio.

  2. É uma coisa linda mesmo. Gosto também da parte em que ele diz que essas perguntas trazem à tona o desencanto e alguns aborrecimentos.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s