Memória

Todos os meus avós faleceram há algum tempo. Conversando hoje com meu irmão, perguntei a ele se ele se lembrava dos nomes de todos eles. Juntos, nos esforçamos e chegamos aos nomes e sobrenomes dos pais de meu pai. Mas sobre os pais de minha mãe, esses mortos há mais tempo, não conseguimos um acordo quanto aos sobrenomes. Meu objetivo original era alcançar os dados de meus bisavós e aí, nada. Resultado: nossa memória alcançou muito perto, de modo que, quando algum escritor me diz que o importante é que a obra seja lembrada depois que ele esteja morto, eu penso que isso é uma grande bobagem. Vaidade. Desejamos reconhecimento agora, que estamos vivos. Depois, ninguém sabe o que virá, por mais que se especule. Além do mais, parece-me óbvio que o máximo que nossa obra sobreviverá a nós é quase nada diante dos milhões de anos de história da humanidade.

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