Homens ocos

Hollow men e o mundo corporativo

Relendo The hollow men, de T. S. Eliot, percebi todo o tormento de um indivíduo assombrado pelas próprias angústias (Eliot descobria que sua esposa o traía), suas dúvidas (Eliot perdia a fé e a esperança), atormentado pelo pós-guerra (o Tratado de Versalhes assinado há pouco) e a capacidade de transformar tudo isso em metáforas inacreditáveis. Os versos finais são dos mais recitados na história da humanidade: “This is the way the world ends. Not with a bang but a whimper.” Às vezes fico imaginando se já se produziu algo à altura em língua portuguesa e, claro, lembro-me de Fernando Pessoa. E no Brasil arrisco-me com Augusto dos Anjos. E João Cabral de Melo Neto.

Para aqueles que não curtem muito a língua inglesa, há uma tradução razoável de Ivan Junqueira. Um pouco confusa, às vezes, mas eficiente. Ah, havia me esquecido: a influência de Dante é muito forte em toda a obra de Eliot. Algumas partes deste Hollow men remetem ao Inferno.

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