Bentancur

Paulo Bentancur

Ficcionista é sanguessuga de poesia. Está tudo ali nos versos, é só copiar, adaptar. Há muito que vinha querendo postar algo sobre o Paulo Bentancur, mas adiava. Agora, pouco antes da minha fisioterapia, resolvi digitar aqui a abertura do livro “Bodas de osso” (título maravilhoso, aliás). Quem quiser conhecer um pouco mais do Paulo, basta dar um click até o site dele. Em tempo: Bentancur escreveu o texto para as orelhas do meu “Livro da carne” e ficou um troço muito bonito. Metáfora, meu caro Watson, metáfora.

 

Outra infância


(Paulo Bentancur)

 

Meu pai e sua inveja olhavam os cavalos do patrão.

Minha mãe, debruçada na panelinha,

cozinhava a ansiedade de minha irmã faminta.

Eu sozinho, menino entre adultos

ilhados como Robinson Crusoé

numa história interminável.

No meio-dia escuro as sombras de uma voz

que nos sobrevoou com o pesado orgulho dos feridos

confessavam que não tinha almoço.

Crescido, ainda dormia no berço

apertado como um feto

sem o consolo da idade.

Eu já sabia que aventura

é coisa de livro, não entra em casa.

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Um comentário sobre “Bentancur

  1. Como em Drummond, a poética de Bentancurt carrega a insustentável leveza do sentimento do mundo. A infância revisitada, traz no adulto o menino que nunca morrre.

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