Schadenfreude

Aprendendo a curtir as férias

 

O capítulo sobre a metáfora, em “Esse ofício do verso”, de Jorge Luis Borges, é algo aterrador para pessoas que, como eu, gostam de poesia. Um trecho:

Já que usei a expressão “antiga como o tempo” [as old as time], devo citar outro verso – um que talvez esteja fervilhando na memória de vocês. Não estou lemrbado do nome do autor. Achei-o citado por Kipling num livro seu não muito memorável, chamado From sea to sea: “A rose-red city, half as old as Time” [Uma cidade rubro-rósea, com a metade da idade do Tempo]. Tivesse escrito “A rose-red city, as old as Time”, não teria escrito absolutamente nada. Mas “half as old as Time” empresta uma espécie de precisão mágica – a mesma espécie de precisão mágica obtida por aquela estranha e corriqueira expressão inglesa “I will love you forever and a day” [Vou te amar para sempre e um dia]. “Para sempre” significa “por um tempo muito longo”, mas é abstrato demais para empolgar a imaginação.

Então fiquei imaginando que algumas metáforas acabam se tornando lugares-comuns com o uso. A este respeito saiu uma matéria hoje na Ilustríssima, que mistura crítica literária com Proust e Freud. Muito interessante, embora o tradutor tenha se perdido em alguns momentos – isso seria resolvido se os jornais trouxessem os textos originais. O ponto que me tocou e que converge para o assunto deste post, é a respeito da beleza. Para mim, um texto literário, para ser chamado de arte, deve transmitir uma sensação exclusiva e inédita. A beleza, portanto, está (também) no manuseio hábil das ferramentas da linguagem, inclusive criando novas.

O título deste post é igualmente dúbio. Remete ao fim das minhas férias. Como professor, meu descanso anual cai em janeiro. Não tenho liberdade para escolher outro mês. Então, nos últimos dez anos, o meu repouso é entremeado com notícias de desastres naturais causados pelas chuvas e com a chuva em si. Viajar começa a ser menos perigoso quando janeiro vai chegando ao fim e eu já não posso também pensar em sair de casa.

Hoje recebi da minha professora um vídeo interessante, sobre o poder que um consumidor tem em suas mãos. Com um telefone celular (não foi o caso), uma reclamação pertinente e o youtube para ajudar, podemos fazer miséria (para exercitar a metáfora-lugar-comum). O vídeo está aqui. E a resposta do fabricante aqui.

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