Futebol

Futuro jogador de futebol.

Futuro jogador de futebol.

 

O campeonato brasileiro de 2010 me fez pensar sobre o futebol. Em 1982, depois da eliminação da seleção brasileira da Copa do Mundo, eu havia decidido que não acompanharia mais qualquer evento relacionado a este desporto. O motivo é simples: se o melhor não vencia, algo estava errado. Argumento ingênuo? Pode ser, mas vamos comparar com outros esportes: natação – é sempre o melhor que ganha. Atletismo: idem. Ponderava: o que acontecia que nem sempre triunfava o melhor? Uma noite mal dormida, um juiz despreparado, um erro de algum jogador. Então retornei ao início do ano e resolvi que seguiria todos os certames de 2010. Não cumpri a promessa, mas assisti a alguns jogos. E concluí que só acontece um gol quando alguém erra. Por melhor que seja uma jogada, por mais craque que seja um centroavante, ele só fará um gol se o adversário errar. Se o goleiro pular na hora errada, se o zagueiro não marcar de maneira eficiente, se o volante dormir no ponto, se o lateral estiver cansado, se a linha de impedimento não funcionar, se o juiz fizer besteira. Nos cem metros rasos não acontecem zebras. O melhor é o melhor e vai cruzar em primeiro. No futebol, o vencedor fez um acordo prévio com cartolas, juízes, patrocinadores e só não levará um título para casa se for muito incompetente, o que acontece com frequência também. Quando a gente vê um drible bem dado é porque o outro fez corpo mole ou algo do gênero, porque finta bonita em cima de craque não existe. Ou seja: se houvesse onze feras de cada lado e ninguém errasse, os jogos seriam muito feios, sem passes certeiros, sem dribles de envergonhar e sem gols. O fato de o futebol ser “uma caixinha de surpresas” é puro marketing. E um marketing em decadência, pois as contas não fecham. Ontem um dos jogos decisivos rendeu míseros 330 mil reais, a ser repartidos até com o gandula. Como é que um time consegue gastar 40 milhões de reais por ano em compra de passes, pagar salários de 400 mil reais por mês? Acredito que os clubes deviam investir mais em outros atletas. Um grande jogador de volei na Europa ganha cerca de 65 mil reais por mês. Um reserva do Fluminense ganha mais do que isso. É uma disparidade. Por outro lado, o que seria do sábado dos brasileiros sem o circo?

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