FLIP de novo

Sinto-me envergonhado por ter de escrever sobre a FLIP. FHC abrindo a Feira em ano de eleição é uma prova da opção política dos organizadores do evento. Mas isso seria simplificar o problema. Há algo muito estranho acontecendo. Os ingressos para as tendas (dos autores e do telão) se esgotam em minutos na Internet. E aqui não vejo nenhuma mesa lotada – nem dos autores nem do telão. Na fila me alertam para uma suposta compra maciça de ingressos por parte de editoras. Acredito. Os autógrafos são uma piada. Alguns autores até tentam ser simpáticos, mas é um grande desafio para eles. O pessoal da livraria que ajuda a sustentar essas egocentricidades é despreparado – um livro por autor, a obra aberta na página do autógrafo e ordens similares que aprenderam num curso bilíngue (porque todos falam inglês) para carrasco de Auschwitz. Um mineiro me confessa que precisa de um tratamento, pois não entende o motivo pelo qual se sujeita a passar por essas coisas só para ter uma assinatura meia-boca em uma folha de rosto. Azar Nafisi é simpática, mas o pessoal da livraria quer deixá-la chata. Ela fica com medo e assina somente um livro por pessoa. A. B. Yehoshua ou é arrogante ou está assustado. Pensa que terá de assinar 500 livros ou mais. A fila para os autógrafos é imensa, realmente, mas todos querem a Nafisi. Yehoshua aqui é desconhecido, lógico. Mas ele supõe que não. Porque é um bom escritor, é sim. Então sai desiludido, com quatro seguranças da pousada a tiracolo. Para que tudo isso? Realmente não entendo. Escritor está virando popstar. Então por que cargas d’água Yehoshua não se mete a fazer um disco? O legal é encontrar algum autor pela cidade e bater um papo. Daí destaco o simpático Ronaldo Correia de Brito, a atenciosa Pauline Melville e assim por diante. Acho que Xuxa e Ana Maria Braga estão fazendo falta na FLIP. Torço para que venham lançar seus livros ano que vem.

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Um comentário sobre “FLIP de novo

  1. quando numa viagem à inglaterra que incluia o pelé na comitiva o então presidente do brasil fhc disse numa entrevista para a televisão: ” viajar junto com o pelé faz com que a gente se sinta mais importante”. apenas isso, somente essa frase, coloca fhc no rol das pessoas humildes e de excelencia moral. daí se pode entender um pouco porque ele deixou a presidencia sem alteração na sua conta bancaria. quanta diferença em certas “estrelas” que transitam por aí.
    abraços,
    enio.

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