miniconto

Eva e a morte, púlpito de madeira - Cathédrale Saint Michel, Bruxelas.

Durante alguns anos mantive um site de minicontos. De vez em quando sinto falta desses exercícios. Para curar essa saudade, escrevi este aí há alguns dias:

duelo

para atravessar sem pânico as quatro horas diárias de sono, combinara com a esposa: ela ficaria acordada, vigiando-o, enquanto descansava. um imprevisto – taquicardia, agitação, arquejo, apneia – e devia despertá-lo. cinco anos nessa rotina. desejava estar alerto se a morte o avistasse. da última vez, quando um infarto o surpreendeu durante o banho – deixando-o oito dias em coma – as drogas impediram um diálogo coerente com aquela alucinação. ela não o encontraria desprevenido novamente, cobraria uma resposta para a pergunta adiada: por quê?

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