Elogio à dúvida

O quê?

Conheci um homem em Tejuco que tem muitas certezas. Não lhe importam os argumentos alheios quando vocifera que algumas profissões não têm utilidade nenhuma, quando postula ser alguém muito prático, quando alerta que as universidades de hoje só enganam, quando ensina que possui provas contundentes para atestar que suas verdades são a verdade correta para todos. Lembrei-me de Camus e pensei se no Brasil pode haver alguém feliz. Seria aquilo a felicidade? Não sei. Nunca fui dono de nenhuma verdade, aliás sempre preferi ser proprietário de dúvidas, pois são elas que me concedem o frio na barriga, são elas que me fazem correr em busca de conhecimento, são elas que me movem, de uma maneira geral. Não estou muito certo disso, mas julgo que pode ser assim. A dúvida talvez tenha me feito mais feliz e mais prudente. Eu só podia encontrar alguém tão devotado à certeza em uma cidade ladeada por vários nadas sem sentido, em uma cidade em que não posso andar sossegado, porque sempre há o risco de encontrar um conhecido enfrentando sua pinga num boteco transpirando verdades a granel. Um comentarista esportivo parece confirmar minha tese – não é um bom sinal. Tenho uma boa resposta para quase todas as perguntas: não sei. Com bons argumentos. No meio disso tudo, é sempre bom rever os amigos.

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2 comentários sobre “Elogio à dúvida

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