Álvaro Alves de Faria, em seu blog

Eu na Praça Benedito Calixto

Acompanhem o blog do Álvaro Alves de Faria.

Ainda existem livros de poesia. Os meus 19 leitores podem acreditar. Ainda existem aqueles livros de poesia em que a gente pode se debruçar para se envolver na Beleza. Aquela poesia verdadeira, não o que, infelizmente, está nas prateleiras de uma mediocridade medonha, amparada pela chamada mídia cultural que não tem compromisso nenhum com nada. Digo isto ao ler o novo livro de Whisner Fraga, “O livro da carne”, lançado agora pela editora 7 Letras. Whisner Fraga é o que de melhor surgiu nos últimos anos nestas plagas brasileiras no que diz respeito à literatura, ao poema e à prosa. Autor elegante, de palavras delicadas, de versos bem construídos como quem lida com uma peça de porcelana, moldada especialmente com o sentimento mais íntimo e verdadeiro. Um livro que comove do começo ao fim, desde seu depoimento no início: “Escrevo sobre as incontáveis infâncias que vivi na distante e (agora) irreconhecível Minas Gerais”. Mais adiante: “Os homens não apreciam o sofrimento, mesmo quando necessário ou inevitável, e eu não sei se estes versos são imprescindíveis”. Os poemas de “O livro da carne” são pequenos retratos de instantes gravados para sempre numa memória poética, do ser poético. Whisner não é poeta por acaso. Na verdade, carrega em si muitas vidas e muitas jornadas que tecem essa poesia limpa, que nasce e renasce sempre, no gesto, na pedra, no olhar, na face, na palavra. Essa poesia foi colhida da sua própria distância, como se colhe uma fruta de uma árvore. Ainda existem livros de poesia. De verdadeira poesia. Ainda existem. Prova disso, é este novo livro de Whisner Fraga, em que se deixa levar por si mesmo, apenas dizendo o que vê no espelho, aquelas imagens de um tempo que nunca desaparecerá. Deixo um poema de Whisner, como exemplo da paisagem poética que ele mostra por ser o poeta que é:

PARA RECONHECER ARREDORES

Inocentar equações

Devolver ao mártir o enigma da dor

Convidar os livros ao absurdo das páginas

Imitar o alarido dos sinos

Divertido trinado de cigarras

Jardinar recreios

Abraçar o pátio

Recorrer às marés e naufrágios

Pulsar encantos

Socorrer colheitas e pequenezas

Agarrar a mão mais atenta

E inventar o próprio nome.

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2 comentários sobre “Álvaro Alves de Faria, em seu blog

  1. Grande Whisner, já tive a oportunidade de desenhar duas de suas poesias. O comentário do Alvaro Alves expressa também minha opinião.
    “… em que se deixa levar por si mesmo, apenas dizendo o que vê no espelho, aquelas imagens de um tempo que nunca desaparecerá.” Isso prova que além de um grande sujeito, poeta e um verdadeiro intelectual também que contagia outros com frases de peso. Essa frase dá uma hq de pelo menso 5 pgs.

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