Mirisola e Thiago de Mello

Já havia conversado com o Marcelo Mirisola em uma bienal, quando ele lançava seu primeiro livro. Várias obras depois eu o reencontro. Se não o reencontrei antes, para ser honesto, não foi por falta de chance. Quando Marcelo começou a escrever e foi elogiado pela crítica e descoberto pelos leitores, ele era mais agressivo, mais ácido. Pouco mais de uma década se passou, o escritor migrou para a Record e está mais seguro, mais pé no chão, diriam. E escrevendo melhor, julgo. Seu último romance, “Animais em extinção”, é muito bom, para dizer pouco. Ele não vai longe, ele já está longe. Depois o poeta Thiago de Mello, que ouço pela primeira vez, me pareceu uma pessoa encantada. Chegou no Theatro Pedro II já recitando uma poesia. Todo de branco, falou de seu amor pela floresta, de sua amizade mítica com Neruda. Tenho uma primeira edição de seu livro de 1955, “A lenda da rosa”, em muito bom estado e pedi para que ele a autografasse. Ele fez um longo “T” e lá embaixo, quase na raiz da letra, escreveu um “M”, um pouco tremido e me disse: agora você tem um livro que ninguém mais tem.

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