Autran Dourado

Postado em Literatura com as tags , , , em 26/01/2012 por whisner fraga

Demorei a voltar aqui. Estava muito enrolado com alguns textos encomendados. Hoje recebi uma mensagem do meu amigo Ronaldo Cagiano. Era para eu ler uma entrevista do Autran Dourado, dada à Folha de SP faz alguns anos. É, realmente, muito boa. Eis um trecho que achei fantástico:

Folha – A erudição é necessária ao escritor?

Dourado - A erudição é acidental, embora seja uma coisa que se busque. Quando o autor está começando a escrever, não pode pensar em ninguém. Nem em outros autores nem em seu público, porque sequer consegue saber quem é seu público. O escritor é aquele solitário. Eu não sei qual é meu leitor e não me submeto à posição de procurá-lo.

É por isso que vejo com certo escândalo o que está acontecendo no Brasil: pessoas jovens que se iniciam na literatura e querem logo vender livro. Têm vocação de best-seller. São fabricantes de livro, e o livro que você vê não resultou de nenhum esforço maior, não correu nenhum sangue por ele. Isso não é ser escritor. Vender livro é um acidente na vida de um escritor.

Caso alguém se interesse, a entrevista completa está aqui.

Concordo com ele que a venda é um acidente necessário, assim como o reconhecimento. Mais feliz ainda é aquele escritor que se contenta com seu próprio esforço. Algo como a satisfação de ter feito um bom trabalho. Mas andei pensando que essa história de reconhecimento depois da morte não vale nada. Alguém por acaso considera, de verdade, que Machado de Assis ou Clarice Lispector ou Guimarães Rosa estão lucrando com o sucesso, em pleno 2012, com traduções mundo afora?

O escritor e pesquisador Valdomiro Santana analisa meu livro

Postado em Literatura com as tags , em 10/01/2012 por whisner fraga

O livro da carne, 7letras, 2010

Li na ficha catalográfica de seu livro que você nasceu em 1971. Nenhuma outra informação biográfica. Nada sabe o leitor em que cidade de Minas você nasceu, como era a escola primária em que estudou, se tomou banho de rio, brincou de gude, o que lhe ficou dos roxos, dos preceitos e das  procissões da Semana Santa, se havia matraca na Quinta-feira de Trevas, o que guardou da imagem do Senhor Morto; se, em sua cidade, a igreja era barroca, se havia em volta montanhas, se foi cursar o secundário num colégio católico em regime de internato; se e quando leu Boitempo, de Drummond, o poema “Infância”, de Paulo Mendes Campos, o conto “O carneirinho azul”, de Otto Lara Resende, a ficção de Guimarães Rosa, Itinerário poético, de Emílio Moura, Confissões de Minas,
também de Drummond.
À medida que eu ia lendo, devagar, bem devagar, os poemas de seu livro, me fazia essas perguntas. Uma estilística, vamos dizer assim, foi o que se impôs na leitura, a da reiteração obsessiva da preposição “para” e o uso deliberado, também obsessivo, dos verbos no infinitivo (impessoal). Mesmo onde essa preposição não aparece, ela fica subentendida, tanto quanto a sintaxe dos verbos em suas formas nominais.
A parte ou seção inicial “Antes do verbo” me parece dispensável. São circunlóquios. Os poemas prescindem dessa “justificativa”, ou do que soa como “explicação necessária”. Que eles próprios digam a que vieram. E o dizem. Há uma construção,  no sentido de que você riscou um projeto e o seguiu; o livro, por isso, tem uma unidade; há nele talvez um certo construtivismo à la João Cabral de Melo Neto, não a influência de sua poética, nem, muito menos, o decreto de banir palavras abstratas). Isso me fez pensar na palavra vers em francês, que, além do substantivo “verso”, pode indicar também como preposição “em direção a”, que equivale a “para”. As “receitas” os “roteiros” dão conta desse projeto de busca da infância, que não é necessariamente a “sua”, mas a do mundo, ou de “um” mundo, em que o “eu” foi arrancado, em que você, o autor, está dessubjetivado. Pois não é com memórias da infância que se faz o que quer que seja, mas com blocos de sensações, certos materiais ou objetos que pertencem ao tempo em pessoa, ao tempo que é nossa unica subjetividade, como fez Proust. E, nessa medida, o passado contraído se distende, o “foi” é o que continua pulsando, ainda que instantaneamente, nos órgãos dos sentidos. O tempo, note, não nos é interior; nós é que somos interiores ao tempo, no qual mudamos, nos perdemos e nos redescobrimos, já que ele mesmo, o tempo, não muda, por ser uma forma vazia, e tampouco é eterno.
O que ficou então em mim da leitura de seu livro? Ficou um entre dois, um intermezzo, alguma coisa no meio, sem as margem: uma, a do projeto falhado de busca da infância; a outra, a da subjetividade que os poemas (re)inventam. Não é sempre no meio que acontecem as coisas? O princípio e o fim não têm interesse algum, porque sem graça. Daí, a contraimagem suscitada pela leitura: uma espécie de cano furado, em que a água não vai de um ponto X a um ponto Y, mas esguicha para todos os lados.
Essa contraimagem subverte o “para”, o “em direção a”, a “receita”, “o roteiro”, o “sentido” perseguido. E o poeta, sem eu nenhum, puxa o tapete que ele próprio teceu.
Foi assim que li O livro da carne. Você merece o nome de poeta.
(Valdomiro Santana, 07 de janeiro de 2012)

Coreografia de danados

Postado em Literatura em 30/12/2011 por whisner fraga

A segunda edição de Coreografia de danados sai no início de 2012, pela Editora Ficções. Para comemorar, posto um bilhete do poeta Manoel de Barros, de 2002, comentando sobre a primeira edição do livro.

Saldão de Natal

Postado em Cotidiano com as tags em 29/12/2011 por whisner fraga

Do dia 24 ao dia 27, eu:

- não bebi;

- li 3 livros: “Perdição”, de Luiz Vilela, “Domingos sem Deus”, de Luiz Ruffato e “Versos satânicos”, de Salman Rushdie, o chato;

-  assisti aos três últimos episódios da sexta temporada de Dexter;

- escrevi o prefácio do livro “Cobra de vidro”, de Rubens Shirassu Júnior;

- escrevi alguns comentários sobre os livros que li.

Visceral

Postado em Literatura com as tags , em 24/12/2011 por whisner fraga

Em Ituiutaba, Luiz Vilela me contava do seu novo livro, “Perdição”. O romance está muito bom, forte. Eis um trecho:

 

“Então eu vou te dizer uma coisa em que eu acredito. Aliás, uma coisa  não: dua, duas coisas. Três; três coisas.”

Ele ficou em silêncio, esperando.

“A primeira: eu acredito que a humanidade só vai realmente progredir o dia em que o último deus for enforcado na tripa do último homem que nele crê.”

Ele não disse nada.

“A segunda: esse dia nunca vai chegar.”

“A terceira?”, ele perguntou.

“A terceira? A terceira é que, mesmo que esse dia chegasse, a humanidade não progrediria nada; talvez até piorasse.”

Prêmio

Postado em Literatura com as tags em 12/12/2011 por whisner fraga

Estou no Triângulo Mineiro, para receber um prêmio da Academia de Letras, Artes e Música de Ituiutaba: meu livro “sol entre noites” foi eleito o romance do ano.

Livros

Postado em Cotidiano, Literatura com as tags , , , , em 26/11/2011 por whisner fraga

Estou me desfazendo de muitos dos meus livros, por questões de espaço. Não quero mais ficar guardando em casa milhares de livros que talvez nem eu leia. Mas os autografados, principalmente, levarei comigo.

 

Livro de Augusto de Campos, que ganhei recentemente.

 

Primeira edição de Feliz Ano Novo.

 

Primeira edição de "A lua vem da Ásia".

Respeito

Postado em Literatura em 23/11/2011 por whisner fraga

Há aqueles que não seguem os onze mandamentos. São os nossos bons escritores.

Os onze mandamentos do escritor brasileiro

Postado em Cotidiano, Literatura com as tags , , , , , em 23/11/2011 por whisner fraga

1. Amar a Cormac McCarthy, Paul Auster e Philip Roth sobre todas as coisas.

2. Guardar segundas, terças, quartas, quintas, sextas, sábados e domingos para o boteco com colegas escritores.

3. Honrar a confraria e ir a todos os  lançamentos de livros.

4. Matar adjetivos e figuras de linguagem.

5. Roubar ideias, frases, parágrafos ou textos sempre que possível.

6. Levantar falso testemunho sobre a obra daqueles que não foram aceitos na confraria.

7. Desejar o talento do próximo.

8. Cobiçar o sucesso do próximo.

9. Cultivar a arrogância, a ignorância e a inveja.

10. Se novato, louvar os livros dos famosos e influentes. Se famoso, se manter famoso.

11. Amar a moda sobre todas as coisas.

 

Visitas ilustres

Postado em Cotidiano, Literatura com as tags , em 16/11/2011 por whisner fraga

Vieram em casa os escritores Osvaldo Rodrigues e Celso de Alencar. Vieram conhecer Helena. Vieram visitar Ana. Ficamos imensamente gratos por terem vindo. A amizade é algo essencial.

 

Osvaldo, eu e Celso, logo após o almoço.

 

Eu, Celso e Osvaldo. Nos fundos de casa, para não acordarmos Helena.

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Join 360 other followers